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Gestantes e lactantes vão poder tomar a vacina contra o coronavírus?

A corrida pelas vacinas contra o covid-19 está ocorrendo e com o surgimento das primeiras disponíveis no mundo, logo surge a dúvida, gestante e lactantes podem tomar? 

A cada dia milhares de pessoas estão sendo vacinadas ao redor do mundo nos mais de 40 países onde as vacinas já foram autorizadas. Esperamos que, em breve, a vacina seja autorizada também para uso no Brasil para contribuirmos com o crescimento desse número de pessoas imunizadas e redução da velocidade de transmissão do vírus SARS-Cov-2. 

Para gestantes e lactantes, no entanto, não teremos a mesma rapidez de vacinação por alguns motivos. Um deles ocorre por conta do processo de aprovação de toda nova vacina. Esse processo é dividido em algumas fases:

  • Fase “pré-clínica”, quando temos a realização dos testes em laboratórios ou em animais com o objetivo de demonstrar a segurança e o potencial de proteção da vacina. 
  • Fase I em que se demonstra a segurança da vacina, 
  • Fase II avalia o quanto a vacina estimulou nosso sistema imunológico
  • Fase III avalia em uma maior quantidade de pessoas tanto a eficácia da vacina quanto, novamente, a sua segurança para que, finalmente, possa ser liberada para registro sanitário e disponibilizada a toda população na fase IV.

Acontece que pela necessidade de liberação rápida da vacina, grupos de gestantes e lactantes serão os últimos a serem testados pois como existe um potencial risco para o feto e bebê, é preciso realizar um estudo separado com todas as fases citadas acima, o que certamente, levará muito mais tempo. 

Então, o que deve ser orientado às mamães que entram nos grupos prioritários de imunização e que são gestantes ou lactantes? Por exemplo, as profissionais de saúde, cuidadoras de idosos, indígenas, mulheres com comorbidades, profissionais da educação, entre outras classificações.

Afinal, gestantes e lactantes poderão tomá-la? A vacina é segura para essas mães?

Estamos falando de um grupo realmente muito especial, gente! Sim, será possível tomar a vacina, mas essa deverá ser uma decisão cautelosa e, preferencialmente, em conjunto com a equipe médica. Isso porque até que seja possível realizar qualquer afirmação sobre a segurança da vacina para gestantes muitos estudos e testes deverão ser feitos. 

Não é fácil a liberação de qualquer medicação ou vacina para gestantes! E guardadas as devidas proporções, o mesmo se aplica para lactantes. Para ser seguro, precisamos de muitas evidências, muitos estudos e, por isso mesmo, esse grupo acaba sendo o último a ser aprovado nesses processos de novas vacinas e medicações.

Recentemente, no entanto, a própria ABM (Academy of Breastfeeding Medicine) declarou que não recomenda a interrupção do aleitamento materno das mães vacinadas. Do contrário, o que se indica é que as lactantes sejam devidamente orientadas por seus médicos, para que avaliem juntos os riscos e benefícios de se tomar uma vacina sem testes específicos para elas. 

Além disso, um comitê regulatório das vacinas do Reino Unido adicionou, recentemente, algumas considerações sobre a vacina Pfizer/Biontech “e recomendou que a vacina seja considerada para o uso na gravidez e lactação quando os benefícios superarem qualquer risco potencial para mãe e o bebê. O mesmo se aplica para a vacina de Oxford/Astrazeneca que foi aprovada pelo governo britânico no último dia 30.” 

 Vale destacar, em relação às lactantes, que é muito improvável, que uma vacina feita de lipídios e aplicada em um músculo do nosso braço consiga atingir o tecido mamário. Menos provável ainda é que, caso ela atinja a mama, que sua nanopartícula seja transferida ao leite. E, mesmo que essa improbabilidade ocorra, o esperado é que a nanopartícula ingerida pelo bebê seja digerida sem quaisquer efeitos biológicos. 

O que talvez seja possível de acontecer é algo muito mais positivo: existe a possibilidade de que os anticorpos produzidos pela mãe através do estímulo gerado pela vacina, sejam transferidos ao bebê através do aleitamento materno, o que, consequentemente, também levaria à proteção da criança contra a Covid-19.

Então, como avaliar se uma gestante ou lactante deve ou não tomar a vacina?

Já existem mais de 4 milhões de pessoas vacinadas ao redor do mundo com as vacinas Pfizer/Nanotech, Moderna e Sputinik com raríssimos eventos adversos graves e nenhuma morte até o momento. Enquanto, a infecção do vírus nos traz milhares de hospitalizações e mortes diariamente.  Esse é o primeiro ponto a ser considerado.

Além dele, os profissionais de saúde devem estar dispostos e preparados para auxiliarem suas pacientes na decisão de tomar a vacina considerando fatores como: 

  1. O risco individual de contrair o vírus ⇒ Como para as pacientes que vivem ou trabalham em lugares onde a taxa de transmissão ou risco de contágio é muito elevada. Por exemplo, uma fisioterapeuta dentro de uma UTI de Covid-19.
  2. O risco de desenvolver uma forma grave da doença e suas consequentes complicações ⇒ Principalmente para as mães com comorbidades graves, como pressão alta, diabetes, obesidade, entre outras)
  3. O risco que transmitir a doença ao recém-nascido traria caso a mãe se contaminasse ⇒ Principalmente se ele apresentar alguma doença prévia grave como hidronefrose e cardiopatias
  4. A potencial eficácia da vacina e sua segurança ⇒ Afinal, mesmo com a tentativa mundial de se desenvolver vacinas contra a Covid-19 rapidamente, os padrões de segurança não foram ignorados. Pelo contrário, segundo a  American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) existem sistemas adicionais de monitoramento de segurança para rastrear e monitorar essas vacinas.

As preocupações teóricas com relação à segurança de se vacinar lactantes são extremamente válidas, mas não superam os benefícios potenciais de receber a vacina em se tratando dos grupos prioritários. Assim, não há necessidade de evitar o início ou descontinuar a amamentação em pacientes que desejam receber a vacina da COVID-19. 

E, para a população geral, minha recomendação é que nos permitamos aguardar resultados de ensaios clínicos, os quais muito provavelmente já estarão disponíveis uma vez que chegue nossa hora da tão desejada imunização da Covid-19. Enquanto isso, sigo aqui sempre atenta aos estudos mais atualizados para trazer informações de qualidade para vocês.

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Referências usadas nesse post:

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Dra Kelly Marques Oliveira

CRM 145039

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