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O que você precisa saber sobre a vacina da COVID-19 para crianças?

A tão esperada vacina da Covid-19, nossa esperança para erradicação do atual cenário pandêmico que vivemos, está chegando. E junto com ela, muitas dúvidas surgem também. 

Vou, então, tentar esclarecer neste texto alguns dos principais questionamentos que vejo no consultório e nas minhas redes sociais.

Por que existem tantas vacinas?

Atualmente, temos mais de 50 vacinas em estudos, sendo que 13 delas estão na fase 3 de ensaios-clínicos e são as candidatas citadas no Programa de Imunização Nacional, o que significa que estão a um passo de serem disponibilizadas para aplicação das pessoas em larga escala. 

Toda vacina objetiva ensinar nosso sistema imune a eliminar patógenos do nosso organismo sem que nos tragam malefícios. Então, a ideia é que o nosso corpo consiga identificar rapidamente caso a gente entre em contato com o vírus, no caso da Covid-19, conhecido como  o vírus SARS-CoV-2. 

Eu gosto de  explicar da seguinte forma como as vacinas funcionam! O nosso sistema imunológico funciona como se fossem vários soldados no campo de batalha. A vacina é como se fosse um “aviso” antes dos inimigos chegarem. Ele avisa que o inimigo está chegando, para que a gente possa se preparar para combatê-lo. A exposição a um vírus já enfraquecido, ou uma parte do vírus, seja uma proteína ou DNA ou RNA modificado, cria uma memória no nosso sistema imunológico que faz com que, numa próxima exposição ao vírus, não ocorra a doença e sim a cura! 

Por isso, no caso das vacinas, existem várias maneiras da gente “treinar” nosso sistema imunológico para que ele esteja preparado para combater o vírus. Por isso existem tantos tipos diferentes de vacinas. 

  • Existem vacinas que ensinam nosso corpo a identificar o vírus por uma proteína que ele tem ⇒ Por exemplo: Novavax (NVX-CoV 2373)
  • Existem vacinas que só mostram o DNA ou RNA do vírus para o nosso corpo e isso já é suficiente para ativar uma resposta imune. Essa técnica está entre as mais novas e avançadas,, por isso existem tão poucas opções dessa técnica mesmo para outros patógenos ⇒ Por exemplo, a vacina desenvolvida pela Pfizer
  • E existem vacinas que mostram o vírus inteirinho para o nosso corpo, mas é um vírus diferente do que aquele que traz a doença, normalmente são vacinas que têm o vírus morto ou enfraquecido ou mudado geneticamente (bem parecido como fazem nos alimentos transgênicos) ⇒ Por exemplo: a vacina Coronavac (inativada), a Janssen e AstraZeneca (ambas com vetor viral não replicante)

Como vou saber se a vacina é segura?

Como toda vacina, todos os processos de desenvolvimento da vacina para Covid-19 passam por uma rigorosa avaliação que submete a substância da vacina a diversos tipos de testes. Parte desse processo também envolve uma revisão de todas as evidências de segurança e eficácia pelo Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas. E, ainda, cada país apresenta seu órgão regulatório. Mesmo que uma vacina – seja da Covid-19 ou qualquer outra – seja aprovada por diversos órgãos regulatórios mundiais, não significa que ela virá para o Brasil, aqui ele precisará da aprovação da ANVISA antes que qualquer empresa possa distribuir suas vacinas ou medicações.

Por isso, quando temos acesso às vacinas, podemos ter a tranquilidade quanto à sua segurança pois ela terá passado por inúmeras testagens. No entanto, cabe ressaltar, que como todo e qualquer método de tratamento com remédios ou preventivo (como é o caso das vacinas), existe uma taxa de efeitos adversos que podem acontecer. O que também é avaliado dentro de todo processo de testes que eu descrevi aqui juntamente com a análise de eficácia, pois nenhum método é 100% eficaz e a vacina da Covid-19 também não será, mas para que uma vacina seja aceita ela precisa apresentar uma eficácia mínima aceitável (o que segundo orientações da OMS, do FDA e da Anvisa precisa ser de pelo menos 50%) e uma taxa de efeitos adversos máxima aceitável também. Além disso, tanto a eficácia quanto os efeitos adversos seguem sendo analisados por 2 anos após o fim da fase 3 de qualquer  ensaio clínico.

E como estão sendo os testes nas crianças e adolescentes?

Até o momento, poucos estudos dedicaram seus esforços para os testes em criança. Isso se deve principalmente pela constatação de que mais de 95% das crianças que são infectadas pelos vírus SARS-CoV-2 são assintomáticas ou apresentam sintomas bem leves. O mesmo não se pode dizer quando a infecção acomete adultos e idosos, que apresentam taxas de agravamento que geram muita preocupação. 

Por isso,  pouquíssimos estudos solicitaram liberação para realizar testes nos menores de 16 anos desde o início da pandemia. O que mudou nas últimas semanas, com o início da imunização em alguns lugares do mundo como na Inglaterra e Estados Unidos, algumas empresas já iniciaram o processo de avaliar também a aplicação de vacinas em crianças como a Pfizer e Moderna em jovens de 12 a 16 anos e a vacina da empresa AstraZeneca em crianças de 5 a 12 anos. 

Assim, esperamos que com a imunização em massa de boa parte da população, principalmente quem compõe o grupo de risco ou de maior exposição ao vírus, nossas crianças estejam ainda mais protegidas contra essa doença que felizmente não tem alta letalidade para eles. 

Depois que eu tomar a vacina estarei protegido?

Todos os estudos começam a considerar a efetividade da vacina a partir de 7 a 14 dias depois da 2ª dose. Esse é o período considerado para que o corpo tenha produzido células de defesa (anticorpos) em altos níveis. Por enquanto, somente um fabricante apresenta potencial de boa eficácia com uma dose: Janssen. 

Porém, infelizmente, a duração da imunidade gerada pela vacina ainda não apresenta estudos fundamentados. Mas seguiremos antenados aqui no Pediatria Descomplicada para trazer esses números assim que forem atualizados.

Quais são os efeitos adversos das vacinas de Covid-19?

Os efeitos são muito parecidos com os de outras vacinas. O local de aplicação pode ficar dolorido e avermelhado, dor de cabeça, dores no corpo e articulações também podem acontecer. Porém, se apresentam de forma temporária são de leve a moderada intensidade.

Novamente, quero reforçar que essa lista por mudar conforme formos aplicando em mais pessoas e conforme seguir as análises de cada vacina, visto que todas continuam por mais alguns anos mesmo após a liberação de seu uso pelo público.

Quem já teve Covid-19 precisa se vacinar?

Segundo a Academia Americana de Pediatria, situada em país onde o processo de imunização já se iniciou, é esperado que toda a população seja vacinada, independente de seu histórico com a infecção por SARS-CoV-2. Até porque pouco se sabe quanto a proteção gerada pela infecção e, se quando ela é gerada, qual sua real durabilidade imunológica. Assim, apesar das pessoas de grupo de risco se enquadrarem na preferência de imunização, planeja-se vacinar toda a população inclusive quem já teve a doença.

Quais são as contraindicações das vacinas para Covid-19?

Como ainda não existe registro para uso da vacina no Brasil, não é possível estabelecer uma lista completa de contraindicações, no entanto, considerando os ensaios clínicos em andamento e os critérios de exclusão utilizados nesses estudos – segundo o Plano Nacional de Imunização publicado dia 16/12/2020 – entende-se como possíveis contraindicações:

  • Pessoas menores de 18 anos de idade (sendo que o limite de faixa etária pode variar para cada vacina de acordo com a bula); 
  • Gestantes; 
  • Para aquelas pessoas que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior de uma Vacina COVID-19; 
  • Pessoas que apresentaram uma reação anafilática confirmada a qualquer componente da(s) vacina(s).

Quando as crianças serão vacinadas?

Essa resposta só será conhecida a partir de quando os estudos com as crianças começarem a gerar dados estatísticos. A Associação Americana de Pediatria acredita que ainda em 2021 teremos condições de iniciar também a imunização infantil para Covid-19.

Até lá, reforço a importância que toda pessoa apta a ser vacinada busque sua imunização o quanto antes ela for disponibilizada pelos programas de imunização. Isso trará maior proteção não só ao indivíduo, mas também a toda comunidade onde ele estiver inserido. 

Porém, no que se refere às demais vacinas para crianças é fortemente recomendado que a vacinação delas esteja sempre em dia. Crianças com vacinação incompleta correm maior risco de outras doenças evitáveis, como sarampo, tétano, coqueluche, poliomielite, influenza, entre outras.

Depois da vacina, preciso continuar seguindo as diretrizes de higiene e saúde?

COM CERTEZA! Teremos de continuar a praticar o distanciamento físico, usando máscaras e EPIs durante algum tempo após a introdução da vacina. Precisamos esperar um certo período até que tenhamos evidências confiáveis de que as vacinas previnem a doença e impedem a transmissão do vírus. Até então, precisaremos praticar todas as medidas de saúde pública.

A vida não voltará ao antigo “normal” imediatamente após a introdução da vacina. Até porque, embora a meta seja administrá-la o mais rápido possível e ao maior número de pessoas possível, sabemos que inúmeros serão os desafios a serem enfrentados por todo o planeta, a começar com a limitação de matéria-prima que existe para sua produção e aplicação até a aderência e comprometimento das pessoas.

Por isso, seja onde estiver, compartilhe informações verdadeiras, incentive quem estiver ao redor e respeite o momento que todos vivemos. Cada um fazendo sua parte, iremos superar o maior desafio enfrentado pela humanidade mais fortes e mais rapidamente.

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Dra Kelly Marques Oliveira

CRM 145039

Consultório particular em São Paulo: (11) 5579-9090

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