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Introdução alimentar, vamos aprender?

Alguém já se deparou com a questão: volta ao trabalho, aleitamento materno exclusivo, introdução alimentar?  Pois é….imagino que sim, até me arrisco a dizer que seja uma das grandes angústias das mamães que vão voltar a trabalhar!

Antes de mais nada, sei que a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da saúde orientam que a introdução alimentar seja feita aos 6 meses, então a dúvida surge, mas  conciliar isso com um bebê que mama no peito e a licença maternidade é de 4 meses? A muito custo conseguimos, com férias, 5 meses não é mesmo?

Pois bem, muitas vezes nessa situação é preciso lançar mão de algumas ferramentas para que a mãe possa oferecer leite materno ao bebê nesse período, evitando o uso de bicos artificiais como a mamadeira, pois pode ocorrer o desmame precoce com isso.

Doutora, não consigo ordenhar e estocar meu leite pois fico fora e trabalho o dia todo e quando estou em casa o bebê mama no peito, e não sobra tempo para ordenhar! Sei bem como isso é comum. Por isso esperar a introdução alimentar aos 6 meses pode não ser uma opção tão possível para essa mãe.

Para entender as alternativas de oferecer leite materno que não na mamadeira, veja esse post. Existem opções como o copinho ou a colher dosadora. Sabemos que leite materno ordenhado quando possível é sempre melhor que fórmula. Mas nem sempre a quantidade de leite materno ordenhada consegue suprir a demanda do bebê enquanto a mãe está longe, principalmente quando a mãe fica o dia inteiro fora… Não estou dizendo que as mães devem começar a introdução alimentar antes dos 6 meses sempre, mas considerar o contexto da família, a volta ao trabalho da mãe, o desenvolvimento do bebê…

Não existe uma “chavinha mágica”na qual o bebê com 6 meses está pronto, mas é em torno dessa idade! Ok? Vamos olhar mais a fundo…é muito mais complexo do que isso!

Veja algumas dicas que separei para vocês para essa fase tão importante! 

Descobrindo os sabores

O primeiro contato do bebê com os sabores se dá ainda no útero, estudos mostram que grávidas que ingerem alimentos diversificados são mais propensas a dar à luz a bebês mais suscetíveis a experimentação alimentar. Dessa forma, a introdução de diferentes sabores começa ainda na barriga da mãe, passa pelo aleitamento materno e depois será algo muito mais intenso na introdução alimentar. Caso o bebê esteja em uso de fórmula infantil, a introdução deve acontecer da mesma forma. Na introdução alimentar, a criança estará provando novas texturas e sabores, e temos a oportunidade única de criar hábitos saudáveis para a criança, que serão levados para o resto da vida! O bebê é uma folha em branco, sem vícios, sem preferências no seu paladar, então lembre-se disso quando for introduzir um alimento novo! Não se baseie nos seus conceitos de doce, salgado azedo e amargo, deixe-o provar!

A introdução alimentar acontece uma vez na vida

Variedade para além da quantidade 

Essa dúvida é extremamente comum: quanto o bebê deve comer? O quanto é esperado? Na verdade essa pergunta não é tão importante quanto: o que devo oferecer ao meu bebê? Então pense que a variedade é mais importante que a quantidade! Além disso, pense em oferecer alimentos saudáveis e de qualidade ao seu bebê, com diferentes sabores. A quantidade é seu bebê que irá ditar o ritmo. É esperado que o bebê coma mesmo muito pouco, ou nada! Se ele pegar, sentir e provar os alimentos de início, mas não comer quase nada, é completamente normal e esperado.

Existe alguma regra de qual alimento iniciar?

Não, não existe regra! Ofereça alimentos naturais e saudáveis, orgânicos se possível, e não industrializados. Existe o que chamamos de grupos alimentares: legumes, tubérculos, raízes, leguminosas, folhas, carnes e ovos, frutas, cereais. Cada alimento deve ser oferecido de forma oportuna e de acordo com a orientação do pediatra e nutricionista. Na introdução alimentar, comece com um grupo alimentar por vez, e varie os alimentos dentro do mesmo grupo. Dessa forma a criança sempre terá contato com diferentes texturas e sabores! Uma dieta equilibrada e rica em nutrientes e sabores é essencial para o bebê.

Para começar, pense num alimento que seja de fácil digestão e de fácil manuseio para o bebê. Que tal começar por ele?

Dê o exemplo 

De nada adianta você querer que seu filho coma brócolis se você nem quer ver por perto. Ou odeia os “verdinhos”. A criança pode até comer esses alimentos no início, mas se você não der o exemplo, ela não conseguirá manter uma alimentação saudável ao longo dos anos. A criança aprende pelo exemplo, e isso muitas vezes significa REcomeçar o SEU  relacionamento com a comida, e uma REeducação alimentar de toda família. Bora começar?

Regra da perseverança

Você deu um determinado alimento ao seu bebê e ele cuspiu? Calma, sem desespero. É natural que o bebê jogue para fora o alimento, quando ele faz isso está imitando o movimento da sucção utilizado na mamada até então. Esse reflexo chama-se reflexo de protrusão da língua. Além disso, estudos mostram que pode ser oferecidos ao bebê 8 a 10 vezes o mesmo alimento até que ele o aceite de fato. Isso não significa que você precisa oferecer o mesmo todos os dias, tente variar para não ficar monótono, afinal ninguém gosta de comer a mesma comida todos os dias!

Caso o bebê rejeite sempre o mesmo alimento, tente fazê-lo de diferentes formas e apresentações: ralado, cozido, assado. Pense nas diferentes formas que uma batata, por exemplo, pode ser feita.

Coma comida de verdade, e comece por você! 

Nunca, jamais, force! 

Frases como,  “Só ganha sobremesa se raspar o prato ou Se não comer tudo não sai da mesa!” o faz lembrar algo? Acredito que já ouvimos muito isso em nossa própria infância, e temos a tendência de reproduzir, ainda que forma inconsciente, nossas vivências, sejam elas boas ou ruins.

Lembre-se que na introdução alimentar a criança está construindo a sua relação com a comida, que será algo importantíssimo no futuro! Quando forçamos o alimentos, criamos algo negativo, e a criança pode criar traumas com o alimento e isso virar uma bola de neve, com dificuldade e seletividade alimentar futuras. Sei o quanto isso causa angústia na família toda, mas acredite, você não está só. É importante procurar ajuda se isso se prolongar para além de um ano de idade.

Consistência dos alimentos

Quem já ouviu falar do método BLW ? Esse método consiste em corta as frutas em vários pedaços e deixá-las à disposição da criança.
Sabemos que esse método divide opiniões, mas então porque não mesclar consistências? Um pouco cortado e um pouco amassado? Fazer com que o seu bebê experimente a diversidade de consistência que o alimento pode ter em muito pode enriquecer a percepção dele sobre o alimento em si.

O BLW pode ser tentado a partir do momento que o bebê já tem os aspectos de prontidão,  como sentar sozinho ou com algum apoio consegue ficar sentado, leva as coisas à boca, esta pronto e disposto a mastigar, desenvolveu o movimento da pinça, etc.
Acredite, o bebê, só vai comer quando realmente estiver pronto pra isso. Não adianta apressar.

Gostaria de saber um pouco mais sobre o BLW? Leia aqui.

Hum…vai um docinho? 

Doce é uma delícia não é mesmo? O nosso querido brigadeiro está aí para comprovar…Cedo ou tarde a criança será apresentada aos doces, as festinhas de aniversário estão aí para nos lembrar.
No entanto, você não precisa incentivar ou acelerar esse encontro, até os dois anos de vida do seu bebê o doce deve vir apenas das frutas!
Após os 2 anos, se a presença do açúcar for algo que irá acontecer, que tal fazer escolhas inteligentes, e usar o mel, açúcar mascavo e frutas secas para adoçar?

Lembre-se: O bebê não sente falta daquilo que não conhece! Açúcar não é sinônimo de afeto! 

Os 2 primeiros anos de vida da criança são muito importantes para a formação do paladar dela, na qual impactará para o resto de sua vida. Além disso, existe a programação metabólica que ocorre na gestação e ainda nessa fase da vida, e se introduzirmos uma alimentação saudável, isso contribuirá para a prevenção de inúmeras doenças!

Use os temperos a seu favor 

O sal faz parte da nossa alimentação, e sentimos falta quando ingerimos alimentos sem sal, mas as crianças não! Novamente: a criança não sente falta daquilo que não conhece!
A recomendação OMS (Organização Mundial da Saúde) é de dois gramas de sal por dia para crianças maiores de 2 anos, o que equivale a uma colher de chá, e também se trata de uma recomendação para adultos. Antes de um ano a recomendação é não utilizar sal no preparo do alimento, podendo ser usado outros temperos como: salsinha, cebolinha, hortelã e cebola, alho, alecrim…enfim, utilize sua criatividade! Comida de bebê não precisa ser sem gosto nem sem graça!

Atenção aos industrializados

Uma coisa é fato, as comidas industrializadas são práticas e as crianças adoram, pois tem ingredientes artificiais como realçadores de sabor, conservantes, estabilizantes ou mesmo muito açúcar. Porém, não se engane, elas trazem junto consigo muitos malefícios, pois esses mesmos ingredientes aumentam o risco de inúmeras doenças, como obesidade, diabetes, colesterol alto, hipertensão…
Para evitá-las EVITE  ao máximo os industrializados! Coma comida de verdade, e comece por você!

Foram tantas dicas não é? Espero que tenha ajudado!

Com carinho,

Dra. Kelly Marques Oliveira

Pediatra, Alergia e Imunologia e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC) – CRM 145039

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