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Outubro Rosa: Amamentação e Câncer de Mama

O mês está quase acabando, mas gostaria de falar algo muito importante para vocês: sobre o movimento contra o câncer de mama chamado “Outubro Rosa”, que é um movimento popular comemorado em todo o mundo com o objetivo de conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

O câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, e provavelmente um dos mais temidos, devido ao seu impacto psicológico também. Afeta a percepção da sexualidade e autoimagem mais do que qualquer outro câncer. É responsável por 25% dos casos novos de câncer a cada ano. No mundo, a cada 3 minutos uma mulher é diagnosticada com câncer de mama, totalizando 1 milhão de casos anualmente.
Após os 35 anos da mulher, a sua incidência aumenta progressivamente, especialmente após os 50 anos. O Instituto Nacional do Câncer estima 57.960  casos no Brasil em 2016 e 14.388 mortes por ano .

Você deve estar pensando: o que isso tem a ver com amamentação? Bem, muita coisa!

Entenda melhor no post o que é o câncer de mama, quais seus fatores de risco e os de proteção e como a amamentação pode impactar nisso tudo!

Entenda o câncer de mama

O termo câncer de mama se refere a um tumor maligno que se desenvolve nas células da mama. Mais comumente o câncer se desenvolve nos lóbulos ou nos ductos, e mais raramente no tecido fibroso ou gorduroso da mama. Com o tempo, as células cancerígenas invadem os tecidos subjacentes próximos, e alcança os linfonodos, podendo então ganhar a circulação e outros órgãos à distância.

Cerca 5 a 10% dos cânceres de mama estão ligados a mutações genéticas herdadas. A mutação BRCA1 e BRCA2 são as mais comuns. Os outros 85% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres sem história familiar de câncer, decorrentes de mutações secundárias ao envelhecimento ao longo da vida e não de mutações herdadas.

Existem algumas medidas que podemos tomar para diminuir os ricos para desenvolver câncer de mama, tais como ter uma vida saudável, ter uma dieta balanceada, não fumar, consumir álcool com moderação, exercitar-se regularmente. Um dos impactos que tem sido estudados no câncer de mama é a influência da amamentação e o seu impacto no risco de desenvolver câncer.

Leia sobre os estudos de aleitamento materno 

Você sabia que a amamentação também protege contra o câncer de mama?

A amamentação pode diminuir o risco do câncer de mama, e essa redução é proporcional ao tempo de amamentação. Isso significa que a proteção é proporcional ao tempo que a mãe  amamenta. Quanto mais tempo de amamentação, maior a proteção.  Outros cânceres, como o de ovário e de útero, também tem redução no risco pelo aleitamento materno.

Leia mais sobre outros benefícios do aleitamento materno 

Por que a amamentação é protetora? 

– O leite produzido 24h por dia limita as células da mama de se multiplicaram de forma inadequada.

– A maior parte das mulheres tem ciclos menstruais anovulatórios enquanto amamentam (adicionados aos 9 meses durante a gestação) o que resulta numa queda importante na exposição de estrógeno. Essa exposição ao longo da vida está diretamente relacionada a câncer estrógeno dependente, como o câncer de mama, ovário e útero.

– A maioria das mulheres tendem ter uma alimentação mais saudável e um estilo de vida mais saudável, como não fumar ou ingerir álcool enquanto amamentam.

– Além da proteção à saúde, a amamentação fornece inúmeros benefícios para a saúde do bebê, além da importante formação do vínculo entre mamãe e bebê.

Quais são as evidências científicas?

Para buscar sobre esse assunto, fiz uma pesquisa no Pubmed, o maior banco de dados de publicações científicas do mundo, e encontrei 1.583 resultados sobre amamentação e câncer de mama! Separei aqui alguns para vocês.

 

European Code against Cancer 4th Edition: Breastfeeding and cancer – Cancer Epidemiol. 2015 Jun 25. 

“Câncer de mama é o câncer mais frequente na mulher e a sua incidência tem aumentado na União Européia (UE) nas últimas décadas devido em parte a uma queda significativa nas taxas de amamentação. As evidências de uma associação protetora entre amamentação e o risco de câncer de mama em todas as idades são bem consistentes, e uma associação protetora entre amamentação e câncer de endométrio (no útero) e câncer de ovário tem sido sugerida. A redução do risco de câncer de mama é estimada em 2% se a mãe amamenta 5 meses. Quanto mais tempo a mãe amamenta, mais protegida ela está contra o câncer de mama. Além disso, amamentação está associada com outros inúmeros benefícios para mamãe e bebê. Tendo isso como evidencia,a 4ª edição do European Code agains breastfeeding recomenda: Amamentação reduz o risco de câncer de mama. Se você pode amamentar, amamente seu bebê”.

Abaixo, veja o gráfico desse estudo, mostrando a queda no risco de câncer de mama relacionado ao número de anos de amamentação, durante a vida.

 

 

Association between breastfeeding and breast cancer risk: evidence from a meta-analysis. Breastfeed Med. 2015 Apr;10(3):175-82. 

Nesse estudo foi feito uma meta-análise de vários estudos epidemiológicos correlacionando a amamentação e o risco de câncer de mama. Foram identificados 27 estudos envolvendo 13907 casos de câncer de mama. Os resultados encontrados foram que a amamentação consiste num fator de proteção para o câncer de mama, que é proporcional ao tempo de amamentação! Ou seja, quanto mais a mãe amamenta, maior a proteção contra o câncer de mama! Novamente, mais fortes evidências aqui!

 

Breastfeeding, PAM50 Tumor Subtype, and Breast Cancer Prognosis and Survival

Este estudo analisou 1636 mulheres que tiveram câncer de mama e foram analisados histologicamente. Foi observado que mulheres diagnosticadas com câncer de mama e que amamentaram em algum momento da vida têm um risco menor de recorrência do câncer. Os benefícios da amamentação foram ainda mais fortes nas mulheres que tinham o hormônio receptor positivo. No estudo as mulheres que amamentaram em algum momento da vida tiveram 30% menos risco de recorrência do câncer e 28% menos risco de morrer de câncer de mama comparado com mulheres que nunca amamentaram. Os benefícios são ainda maiores para mães que amamentaram por mais de 6 meses.

A pesquisadora Marilyn Kwam explica porque existe esse melhor prognóstico do câncer de mama em mulheres que amamentaram: “mulheres que amamentaram tem maior probabilidade de desenvolver o subtipo A de câncer luminal, que é menos agressivo, e a amamentação pode estar relacionada a um meio ambiente molecular que torna o tumor mais responsivo a terapia anti-estrogênica hormonal”.

 

O desafio

A amamentação pode ser um grande desafio, mas é, definitivamente, a melhor opção para você e para seu bebê. Além da possibilidade de reduzir riscos para sua saúde, como o câncer de mama, também está relacionado diretamente com a saúde do bebê, presente e futura. O leite materno protege contra doenças infecciosas, alergias e doenças auto-imunes. 

Após um diagnóstico de câncer de mama, a amamentação pode ser um desafio. Se a cirurgia for uma mastectomia bilateral, infelizmente é impossível amamentar. Mas, se a cirurgia foi parcial, pode haver diminuição na produção de leite, mas o outro lado pode produzir leite normalmente.

 

Lembre-se: amamentação é muito mais do que conseguir leite suficiente para alimentar o seu bebê, é carinho, amor e proteção! Para você e seu bebê. Se você tem o desejo de amamentar, procure ajuda especializada. Você não está sozinha nisso!

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Um abraço,

Dra. Kelly Marques Oliveira

Pediatra, Alergia e Imunologia e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC) – CRM 145039

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Post originalmente publicado no blog da Lansinoh Brasil, de autoria da própria Dra. Kelly

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