urso

Permanecer no útero mais tempo é importante para o bebê?

gravidez, parto cesárea, via de parto, parto normal, pediatria descomplicada, dra kelly oliveira

Esse debate em relação a cesárea tem sido alvo de críticas e polêmica. Não estou aqui para polemizar, só quero trazê-los à reflexão de algo muito importante que é a escolha da via de parto para seu bebê. A arma mais poderosa que temos é a informação, e por isso a trago aqui para vocês.

Não sou contra cesárea e não é isso que quero dizer com o texto abaixo, que foi postado no blog Pediatra Orienta, da Sociedade de Pediatria do Estado de São Paulo. É apenas um convite à reflexão. Sei que a cesárea tem indicações precisas e hoje ela salva vidas. No entanto, uma escolha consciente só é feita quando temos todas as informações à mão para tomarmos uma decisão. Ainda assim, muitas vezes não é facil. Acredito que a decisão deve ser tomada em conjunto com o obstetra e devem ser avaliadas todas as condições do momento do parto, a saúde da mamãe e do bebê. Devemos nos preparar para receber o nosso bebê, e isso inclui o preparo físico, emocional, psicológico e também se encher de conhecimento sobre o tema.

“A informação correta é a arma para o empoderamento materno. Empodere-se!”

Segue abaixo o texto:

“Recentemente, a sociedade brasileira tem sido bombardeada por perguntas que não necessariamente eram feitas há alguns anos por casais aguardando a chegada de seu filho: existe algum risco em se marcar a data do parto? O parto cesáreo pode ser considerado, neste início de século XXI, tão ou mais seguro do que o parto normal?

Vários segmentos da sociedade se manifestaram em relação a estes temas, algumas vezes de maneira apaixonada e até passional. Porém, consideramos fundamental que a Sociedade de Pediatria de São Paulo também se manifeste, à luz do conhecimento técnico científico necessário para que a população possa ser informada de maneira isenta e equilibrada.

Vamos aos fatos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é atualmente o país com maior incidência de parto cesáreo no mundo. Enquanto que em 1970 as cesáreas representavam 15% do total de nascimentos no País, hoje elas representam cerca de 52% dos três milhões de partos feitos anualmente no Brasil, segundo o estudo Nascer no Brasil, coordenado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reunindo informações de 23.894 gestantes atendidas em 2011 e 2012 em 266 hospitais (públicos, privados e mistos) de 191 municípios brasileiros. Já nas maternidades privadas brasileiras as taxas são tão altas quanto 85-90%. Apenas para comparação, a taxa de parto cesáreo recomendada pela OMS é ao redor de 15%. Estima-se que, no Brasil, pelo menos 20 a 25% dos partos cirúrgicos são decorrentes de cesáreas programadas, sem indicação obstétrica.

Embora o parto cesáreo seja fundamental em situações de risco ou de emergência para a mãe ou para o bebê, estas indicações representam apenas uma pequena fração. Em sua maioria, os partos cirúrgicos não são indicados por complicações obstétricas, ou ainda são realizados por solicitação da mãe, que muitas vezes não conhece os riscos desta decisão para si e para seu filho.

O risco para o bebê está associado ao nascimento antes do tempo, quando ele ainda não está completamente pronto para a vida fora do útero. Segundo a OMS, uma gestação humana saudável dura entre 37 e 41 semanas, período que recebeu a denominação de Gestação de Termo. Até alguns anos atrás se considerava que todos os bebês de termo tinham o mesmo risco de ficar doentes ou de morrer após o nascimento, e que este risco era muito baixo. Hoje sabemos que isso não é verdade. Os recém-nascidos de termo com menos de 39 semanas de gestação têm um risco maior de desenvolver complicações após o nascimento, principalmente em relação à sua capacidade de respirar normalmente fora do útero. Essa falha de adaptação respiratória após o nascimento é ainda maior quando o bebê nasce de parto cesáreo sem que a mãe tenha entrado em trabalho de parto, pois as contrações (ou o trabalho de parto) contribuem de maneira muito importante para o preparo final dos pulmões do bebê, permitindo uma respiração normal após o nascimento. De fato, pesquisadores brasileiros demonstraram, em um estudo publicado em 2012, que bebês nascidos com 37 semanas de gestação por parto cesáreo sem trabalho de parto tinham maior risco de internação hospitalar e de óbito.

Outro problema associado ao excesso de cesáreas é o aumento da taxa de prematuridade (definida pela OMS como nascimento antes de 37 semanas de gestação), pois não é incomum ocorrer um erro no cálculo da idade gestacional do bebê, o que poderia determinar o nascimento uma ou duas semanas antes do tempo adequado. Nesse sentido, (um) outro estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2008 já apontava um aumento nas taxas de prematuridade no Brasil, particularmente o grupo de prematuros tardios (crianças entre 34 e 37 semanas de gestação).

A maior prevalência da prematuridade resulta em um maior risco do bebê desenvolver problemas de adaptação à vida fora do útero, particularmente problemas respiratórios, que determinam a sua internação na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Além da preocupação e da frustração dos pais em decorrência da internação de seu bebê na UTIN, há um aumento dos custos associados ao atendimento do recém-nascido, que podem ser significativos.

Quais são as alternativas que os pais dispõem hoje para garantir um nascer seguro e saudável para o seu filho?

Sem dúvida uma adequada assistência obstétrica é fundamental, evitando-se o nascimento desnecessário antes da hora e escolhendo-se a via de parto mais adequada para cada situação em particular, seja o parto vaginal, em gestações sem complicações, seja o parto cesáreo, quando houver clara e precisa indicação por risco materno ou do bebê.

Nesse sentido, o diálogo franco dos pais com o obstetra e, quando possível, com o pediatra que fará o acompanhamento (do recém-nascido) após o nascimento, é a melhor opção para se fazer a escolha mais adequada para o nascimento do bebê.

Fonte: Permanecer no útero por mais uma semana é vantajoso para o recém-nascido?

Espero que esse texto tenha ajudado a esclarecer alguns pontos importantes para vocês!

Para seguir o blog e receber as novidades por email, basta clicar no botão “seguir” no site. Siga também no Facebook (ative o receber notificações, para receber aviso dos posts novos) e instagram (@pediatriadescomplicada).

 

Um abraço,

Dra. Kelly Marques Oliveira

CRM 145039

Consultório particular em São Paulo: (11) 5088-6699

11 Comments

  • Djenane 11/01/2016 Reply

    Ótimo texto, realmente é fundamental ter um obstetra que apoia a gestante e orienta sobre a melhor opção. Tive a sorte de ter um médico sério e comprometido ao meu lado, me preparei para o parto normal, fui muito bem conduzida e entrei em trabalho de parto com 41 semanas sem pressão, sem cobranças, infelizmente teve que ser feita uma cesariana por conta de algumas complicações no parto mas por todo suporte que tive me sinto super bem com a opção da cesariana porque tenho consciência que ela só foi feita pra salvar a vida do meu bebê.

  • Djenane 11/01/2016 Reply

    Ótimo texto, realmente é fundamental ter um obstetra que apoia a gestante e orienta sobre a melhor opção. Tive a sorte de ter um médico sério e comprometido ao meu lado, me preparei para o parto normal, fui muito bem conduzida e entrei em trabalho de parto com 41 semanas sem pressão, sem cobranças, infelizmente teve que ser feita uma cesariana por conta de algumas complicações no parto mas por todo suporte que tive me sinto super bem com a opção da cesariana porque tenho consciência que ela só foi feita pra salvar a vida do meu bebê.

  • Bartira Carvalho 11/01/2016 Reply

    Muito boa informação, mas é importante lembrar que não é só médico obstetra que acompanha pré-natal e parto. A gestação de risco usual pode ser acompanhada por obstetriz e enfermeira obstetra e elas tb podem acompanhar e assistir partos nestes casos.

  • Diana Almeida 02/02/2016 Reply

    Excelente texto, Dra. Kelly. Pena q só estou vendo agora. Eu queria mto ter feito parto normal, mas fui conduzida pelo obstreta q me acompanhava a fazer a cesária e hj vejo q foi por falta d informação. Apesar d ter pesquisado bastante eu acabei me sentido insegura em fazer o normal, pq segundo ele n poderia fazer pq o cordão estava envolta do pescoço do bebê. Fiquei com medo d deixar chegar a hora do parto e acontecer algo com meu bb. Hj vejo o qnto fui ingênua e até mesmo covarde por n ter tido a coragem d dizer e insistir no q eu queria q sempre foi ter parto normal. Sem contar q ele marcou a data do parto baseando-se na última ultra q estava dando uma semana e meia a mais. Fico mto chateada em pensar q meu bb n nasceu no tempo certinho dele. Eu ainda nem contrações estava sentido, pelas contas inicias da minha gestação eu estaria fazendo 38 semanas e acredito q teria ido até 41 ou 42 pq n estava sentindo nada só apenas umas colicasinhas de vez enquando. Então quero deixar aqui para outras mamães, façam o parto normal q é melhor para vc e seu bb, a n ser q seja realmente de risco. Meu bb está com refluxo e sei q isso é por conta da imaturidade do seu organismo. Mas penso, será q por ele ter nascido antes do tempo, mesmo q seja só por uma ou duas semanas, q na gravidez em uma semana acontece mtas transformações. Pq perguntando para pessoas próximas, n é uma pesquisa científica, mas me fez pensar isso, q todas q tiveram parto normal seus BBS n tiveram refluxo ou tiveram por alguns dias ou 1 ou 2 meses. E já as q optaram por cesária seus bebês tiveram refluxo e por myo mais tempo e refluxos, n sei bem o termo, com um grau baste alto. Q é o meu caso. Infelizmente n tenho como voltar a trás. Só digo q me arrependo d ao menos ter esperado entrar em trabalho d parto para assim sim ver se seria necessário a cesariana. A falta d informação e d um profissional comprometido em fazer o certo no seu trabalho é td. Obg. Doutora. Adorei seu blog.

  • Diana Almeida 02/02/2016 Reply

    Excelente texto, Dra. Kelly. Pena q só estou vendo agora. Eu queria mto ter feito parto normal, mas fui conduzida pelo obstreta q me acompanhava a fazer a cesária e hj vejo q foi por falta d informação. Apesar d ter pesquisado bastante eu acabei me sentido insegura em fazer o normal, pq segundo ele n poderia fazer pq o cordão estava envolta do pescoço do bebê. Fiquei com medo d deixar chegar a hora do parto e acontecer algo com meu bb. Hj vejo o qnto fui ingênua e até mesmo covarde por n ter tido a coragem d dizer e insistir no q eu queria q sempre foi ter parto normal. Sem contar q ele marcou a data do parto baseando-se na última ultra q estava dando uma semana e meia a mais. Fico mto chateada em pensar q meu bb n nasceu no tempo certinho dele. Eu ainda nem contrações estava sentido, pelas contas inicias da minha gestação eu estaria fazendo 38 semanas e acredito q teria ido até 41 ou 42 pq n estava sentindo nada só apenas umas colicasinhas de vez enquando. Então quero deixar aqui para outras mamães, façam o parto normal q é melhor para vc e seu bb, a n ser q seja realmente de risco. Meu bb está com refluxo e sei q isso é por conta da imaturidade do seu organismo. Mas penso, será q por ele ter nascido antes do tempo, mesmo q seja só por uma ou duas semanas, q na gravidez em uma semana acontece mtas transformações. Pq perguntando para pessoas próximas, n é uma pesquisa científica, mas me fez pensar isso, q todas q tiveram parto normal seus BBS n tiveram refluxo ou tiveram por alguns dias ou 1 ou 2 meses. E já as q optaram por cesária seus bebês tiveram refluxo e por myo mais tempo e refluxos, n sei bem o termo, com um grau baste alto. Q é o meu caso. Infelizmente n tenho como voltar a trás. Só digo q me arrependo d ao menos ter esperado entrar em trabalho d parto para assim sim ver se seria necessário a cesariana. A falta d informação e d um profissional comprometido em fazer o certo no seu trabalho é td. Obg. Doutora. Adorei seu blog.

  • Diana Almeida 02/02/2016 Reply

    Excelente texto, Dra. Kelly. Pena q só estou vendo agora. Eu queria mto ter feito parto normal, mas fui conduzida pelo obstreta q me acompanhava a fazer a cesária e hj vejo q foi por falta d informação. Apesar d ter pesquisado bastante eu acabei me sentido insegura em fazer o normal, pq segundo ele n poderia fazer pq o cordão estava envolta do pescoço do bebê. Fiquei com medo d deixar chegar a hora do parto e acontecer algo com meu bb. Hj vejo o qnto fui ingênua e até mesmo covarde por n ter tido a coragem d dizer e insistir no q eu queria q sempre foi ter parto normal. Sem contar q ele marcou a data do parto baseando-se na última ultra q estava dando uma semana e meia a mais. Fico mto chateada em pensar q meu bb n nasceu no tempo certinho dele. Eu ainda nem contrações estava sentido, pelas contas inicias da minha gestação eu estaria fazendo 38 semanas e acredito q teria ido até 41 ou 42 pq n estava sentindo nada só apenas umas colicasinhas de vez enquando. Então quero deixar aqui para outras mamães, façam o parto normal q é melhor para vc e seu bb, a n ser q seja realmente de risco. Meu bb está com refluxo e sei q isso é por conta da imaturidade do seu organismo. Mas penso, será q por ele ter nascido antes do tempo, mesmo q seja só por uma ou duas semanas, q na gravidez em uma semana acontece mtas transformações. Pq perguntando para pessoas próximas, n é uma pesquisa científica, mas me fez pensar isso, q todas q tiveram parto normal seus BBS n tiveram refluxo ou tiveram por alguns dias ou 1 ou 2 meses. E já as q optaram por cesária seus bebês tiveram refluxo e por myo mais tempo e refluxos, n sei bem o termo, com um grau baste alto. Q é o meu caso. Infelizmente n tenho como voltar a trás. Só digo q me arrependo d ao menos ter esperado entrar em trabalho d parto para assim sim ver se seria necessário a cesariana. A falta d informação e d um profissional comprometido em fazer o certo no seu trabalho é td. Obg. Doutora. Adorei seu blog.

  • Pingback: Entenda a consulta de pré natal com o pediatra | pediatria descomplicada

  • Pingback: Entenda a consulta de pré natal com o pediatra | pediatria descomplicada

  • Pingback: Entenda a consulta de pré natal com o pediatra | pediatria descomplicada

  • Pingback: Paracetamol na gravidez aumenta o risco de Autismo?

  • Pingback: Paracetamol na gravidez aumenta o risco de Autismo?

Deixe uma resposta