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Microcefalia – protocolo de investigação

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Houve um aumento assustador no número de casos de microcefalia, chegando a 1248 casos notificados somente esse ano. O governo correlacionou os casos de microcefalia com o surgimento da doença causada pelo Zika vírus, e essa correlação se tornou ainda mais provável após a notificação de ter sido encontrado o Zika vírus nos exames de uma criança que nasceu com microcefalia.

microcefalia no brasil

Qual o período da gestação de maior risco?

Durante a gestação, sabe-se que o período embrionário é o período de maior risco para múltiplas complicações, e o cérebro fica susceptível a complicações durante toda a gestação. Veja a figura abaixo, que mostra as etapas da embriogênese.

malformacoes embriao

Fonte: Manual de Obstetrícia de Williams – 23 ed: Complicações da Gestação

O que é microcefalia?

 É a ocorrência de crânio pequeno congênito. Observa-se um perímetro cefálico (PC) abaixo do padrão das curvas apropriadas para idade e sexo. PC com circunferência occiptofrontal (COF) 2 desvios-padrão (DP) abaixo da média para uma

determinada idade, sexo e gestação é um método sensível para identificar microcefalia. Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental.

A Microcefalia é um sinal de que algo está errado, porém a sua causa pode ter diferentes etiologias: síndromes genéticas, insulto hipóxicoisquêmico, alterações vasculares, desordens sistêmicas e metabólicas, exposição a drogas, álcool e certos produtos químicos na gravidez, desnutrição grave na gestação, fenilcetonúria materna, infecções do sistema nervoso central no período pré-natal, perinatal e pós-natal.

Protocolos clínicos de manejo dos casos com suspeita de Zika vírus e risco de microcefalia

O governo elaborou em caráter de urgência alguns protocolos relacionados a investigação de gestantes com risco de microcefalia no feto, e manejo da criança com microcefalia pós natal.

Veja alguns dos protocolos abaixo. Você encontra o material completo no link:

Gestante com exantema

Para toda gestante com exantema devem ser excluídas outras hipóteses de doenças infecciosas e causas não infecciosas.

 Veja quais exames pedir na suspeita:

 

protocolo 1

protocolo 2

 Veja abaixo o fluxo de investigação da gestante com exantema:

 protocolo 3

Microcefalia intra-útero

 Devem ser notificados os casos de feto que apresentarem circunferência craniana com dois desvios padrão abaixo da média para a idade gestacional detectado por ultrassom ou outro método de imagem disponível.

 Veja o fluxo abaixo de investigação de microcefalia intra-útero:

 protocolo 4

 

Microcefalia pós-natal

Devem ser notificados todos os casos de recém-nascido, entre 37 e 42 semanas de gestação, com perímetro cefálico aferido ao nascimento igual ou menor que 32 cm ou recém-nascido, com menos de 37 semanas de gestação, com perímetro cefálico aferido ao nascimento, igual ou menor que o percentil 3 (dois desvios padrão) considerada a curva de crescimento de Fenton.

 Veja abaixo os exames de investigação para o achado de microcefalia pós-natal

 protocolo 7protocolo 6
Fluxograma de investigação do recém-nascido com microcefalia

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 Recomendações gerais

  •  As gestantes não devem consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas
  • As gestantes não utilizar medicamentos sem a orientação médica
  • As mulheres que planejam engravidar devem atualizar seu cartão vacinal
  • Evitar contato com pessoas com febre, exantemas ou infecções
  • Até que se esclarecem as causas desse aumento, as mulheres que planejam engravidar devem conversar com a equipe de saúde de sua confiança
  • Não há uma recomendação para evitar a gravidez. A decisão de uma gestação é individual de cada mulher e sua família
  • Adotar medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças
  • Controle do mosquito, sendo de extrema importância a manutenção do quadro de agentes de endemias no território, garantindo assim, a cobertura de visitas domiciliares
  • Uso de repelentes  (veja o post Guia para uso de repelentes)

Esse guia é para esclarecer à população que o Ministério da Saúde tem elaborado protocolos para investigação da doença e maior esclarecimento dos acontecimentos. Espero que ajude também médicos em busca de informações de como investigar a doença, ou o que fazer na sua suspeita.

Abaixo segue o Manual elaborado pelo Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Pernambuco. Todas as figuras foram retiradas do manual.

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Um abraço,

Dra. Kelly Oliveira

CRM 145039

Consultório particular em São Paulo: (11) 5088-6699

2 Comments

  • Rosita 29/12/2015 Reply

    quando peguei chikungunya, tudo começou com uma febre altíssima (39.5°C!) e muita dor de cabeça e nas juntas. Mal conseguia andar direito. Estava andando toda dobrada, curvada como uma mulher velha. Ah, você sabia que “chikungunya” significa “aqueles que se dobram”, em swahili, uma língua falada na Tanzânia e no norte de Moçambique. Agora sei porque tem a doença tem esse nome. Você simplesmente não tem outra escolha, tem que se curvar de tanta dor, é insuportável, parece que os ossos vão quebrar. Estava com muita sede, também. Ir ao consultório da médica foi um sufoco, visto que não conseguia subir a escada de tanta dor. Quando finalmente subi a tal da escada, só conseguia pensar: “Caracas! [uso muito essa gíria quando estou surpresa com algo] O que está acontecendo comigo?” A médica me olhou e começou a perguntar algumas coisas sobre o meu histórico de viagem e talz… Expliquei que tinha voltado de Fortaleza, e tive UM ÚNICO DIA de febre e estava sentindo muita dor nas articulações e na cabeça. “Tienes manchas en la piel?”, a doutora perguntou, num portunhol [ela não é brasileira]. “Não”, eu disse. “Certo. Você vai ter que fazer alguns exames, OK?”, ela disse, num português Pidgin. “Se realmente achas necessário…”, falei. Ela riu. A doutora simpática passou uns exames para dengue, chikungunya, PCR (Proteína C Reativa), Fator Reumatoide e Leucócitos. E lá fui eu, fazer os exames. Não estava andando, e sim, mancando. Um enfermeiro simpático me disse que provavelmente era dengue, visto que estava tendo epidemia de dengue aqui. Negativo para dengue, surpreendentemente. Quando voltei para casa, simplesmente me atirei com tudo na rede de dormir, e comecei a implorar por água. De novo. Alguém me trouxe água de côco. Agradeci, sorrindo. No outro dia, fui ao reumatologista, a mando da médica. Tive um diagnóstico errado de AIJ (Artrite Idiopática Juvenil). Foi um drama para minha família. Mamãe pegou o celular e começou q pesquisar sobre essa doença, chorando muito. Para mim, não era nada. Não que eu estivesse sendo insensível, mas simplesmente não fazia ideia da gravidade desse diagnóstico. Voltei na médica, que me pediu para refazer o exame de dengue. Negativo de novo. Fiz o exame de chikungunya. Positivo! Era isso. Curiosamente, houveram alterações no PCR (Proteína C Reagente) e Fator Reumatoide, gostaria de saber se a chikungunya costuma causar essas alterações. Fiquei faltando um mês de aula, não podia escrever, perdi 7kg NUMA SEMANA, e ainda fiquei 5 meses com dor nas juntas, foi horrível. Não desejo isso para ninguém. Naquele tempo, ainda não se falava em zika virus, chikungunya já era novidade aqui no Brasil. Agora, a gente ja tá um pouco mais familiarizado com a “chiku”, como eu e minha família chamamos a doença, devido à surtos no Oiapoque e Feira de Santana. Mas minha cidade nunca teve epidemia de chiku, apesar de estarmos enfrentando epidemia de zika, no momento, o que espero passar ilesa. tive que fazer fisioterapia e RPG por causa das dores da chiku, mas vira e mexe ainda sinto algumas dores… Agora aprendi a lição de que não devo descuidar do repelente, até para evitar a zika, que tá sendo um drama aqui na minha cidade 🙂 fico feliz em saber que nunca mais pegarei a chiku. Vira e mexe ainda sinto algumas dores, sei que são sequelas da doença, mas lido com isso com muita calma, pois não se compara com a verdadeira experiência com essa doença desgraçada. O Tylenol 750mg dava um pequeno alívio, mas não passava. A impressão que eu tinha era que os ossos iam quebrar de tanta dor. E ainda fiquei com algumas sequelas, e to passando um perrengue aqui, visto que o famoso repelente Exposis não está disponível em nenhuma farmácia da minha terrinha tampouco acho no restante do Brasil, e estamos muito preocupados com a zika e sua ligação com a síndrome de guilain barre… Enquanto isso, sigo usando o repelente que sempre usei, o OFF!, e espero que meu relato sobre minha experiência com a chiku tenha sido útil para você 😉

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