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O que fazer quando seu filho está resfriado

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Olá queridos papais e mamães!

Semana passada peguei um resfriado daqueles e por isso acho que fiquei sensível ao tema. Segunda acordei com a garganta doendo, aquela coriza, espirros sem parar, cabeça pesada, uma moleza…só não tive febre. Que incômodo! Logo lembrei dos pequenos e pensei, que dificuldade eles passam!

 

As infecções de vias aéreas superiores, assim chamadas porque acometem somente o trato respiratório superior (nariz, ouvido e garganta, orofaringe e cordas vocais) são consideradas um dos principais problemas de saúde na criança. A grande maioria é de causa viral, embora quase metade dessas infecções sejam tratadas com antibióticos, seja por pressão dos pais ou do pediatra.

Motivo de muita angústia dos pais ver o filho com febre e tossindo, muitas noites de sono perdidas, o resfriado pode deixar muitos pais desesperados e o pediatra bastante frustrado pela sua incapacidade de curá-la. Como não existe um remédio que trate o vírus especificamente, os pais ficam ansiosos para tratar os sintomas, que afinal, incomodam bastante.

Por isso, nessa semana decidi falar sobre os principais problemas respiratórios que acometem as crianças, e como ajudar os pais nessas situações. Respire fundo (literalmente!), vamos adentrar nesse universo!

Vamos entender um pouco então como o nosso corpo funciona, e porque as crianças sofrem tanto e tão mais vezes do que o adulto nessas doenças. O tamanho da via aérea da criança é proporcional a sua idade, isso significa que quanto mais nova a criança, menor a sua via aérea. Bebês resfriados podem ter muita dificuldade para respirar, primeiro porque a sua via aérea é muito pequena, e pequenas obstruções podem ocluir quase que completamente a passagem de ar! Segundo porque não coordenam bem o mecanismo de respiração, sucção e deglutição, podendo apresentar muita dificuldade para mamar, e até engasgar e aspirar o leite! Em terceiro lugar, porque seu sistema imune ainda está sendo formado, e estão muito suscetíveis a doenças comuns e potencialmente graves. Quadros respiratórios graves podem se desenvolver nos bebês no período de dias e até horas, e para isso a mamãe deve ficar atenta a qualquer sinal de desconforto respiratório. Por outro lado, a maioria dessas doenças evolui de forma benigna, e não tem qualquer repercussão ou problema, exceto pelo desconforto que ela causa (na criança e nos pais).

Entenda o que é o Resfriado comum

Começaremos então hoje pelo mais frequente de todos: O resfriado comum. Este pode ser definido como uma infecção respiratória alta com congestão nasal, rinorréia, e inflamação na garganta. Tem duração autolimitada e curso benigno. Os sintomas duram em média 5 dias, podendo durar mais…e a tosse é a última a sarar.

A maioria das crianças vai pegar de 4 a 14 episódios de resfriado por ano, normalmente um seguido do outro – e isso é absolutamente normal. Para terror dos pais, a creche é o lugar de maior proliferação de vírus, e bactérias, e pode parecer que a criança vive doente…o que de fato ocorre. Entretanto se o seu filho tem cerca de um episódio infeccioso por mês, sem que isso tenha levado a internações com infecções graves, é completamente normal e faz parte dessa fase…

Como ocorre a transmissão?

A infecção começa quando um vírus entra no nariz ou na boca, a partir de dedos contaminados ou das gotículas na tosse ou espirro de um indivíduo infectado.  O vírus então liga-se à superfície da pele no interior do nariz (das membranas mucosas.) A partir daí, o vírus invade a célula vizinha, e altera a sua função. O vírus se replica, e acabam sobrecarregando as células saudáveis.

Tudo culpa da inflamação…mas por meio dela vem também a cura!

Uma das partes fundamentais deste ciclo é a destruição das células da pele nasais. A presença de germes e a morte das células resulta em uma reação inflamatória – e os sintomas do resfriado começam a aparecer. O processo inflamatório no corpo, que causa os sintomas, faz parte também do próprio processo de cura da doença, e é por isso que os remédios pouco ajudam no resfriado comum, e antibiótico nesse caso não resolve. O melhor remédio nesse caso é o tempo.

A mucosa do nariz lesionada no resfriado funciona como quando esfolamos o joelho numa queda. Limpamos o machucado com água e sabão, passamos até antibiótico para não infectar, e depois formou-se uma casquinha. Quando a casquinha caiu, a pele nova estava por baixo! O tempo frio e o ar seco danificam a pele e a mucosa do nariz, e a parte de trás da garganta é como o joelho ralado. Assim como o joelho leva tempo para curar, assim também a mucosa que reveste o nariz e a garganta. Nenhum remédio nesse caso vai acelerar o processo de cicatrização. Até que ocorra a cura, haverá muco e bastante tosse. Dependendo do quanto foi danificado, pode demorar de duas a quatro semanas!

Mas, e a tosse???

 

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Da mesma forma, a tosse funciona como um mecanismo de proteção feito para remover o muco do trato respiratório. Em uma criança com ou sem asma, tosse pode ser pior à noite, porque durante o dia a própria atividade da criança e a gravidade ajudam na drenagem de muco das vias aéreas. No entanto, à noite, quando estamos deitados na horizontal e sem nos movimentarmos, isso permite que o muco se acumule e a tosse fica mais carregada…

A congestão nasal e a coriza geralmente indicam o início da infecção viral. O muco é claro nos primeiros dias, amarelado e até verde por vários outros, e depois claro novamente no final. Qualquer muco que permanece no nariz ou na garganta por mais de um dia é muitas vezes amarelado ou esverdeado e, ao contrário da crença popular, este não é um sinal de infecção bacteriana nem tampouco uma razão para os antibióticos. A cor é causada por enzimas no sistema imunológico do organismo. É uma fase normal no ciclo de vida de uma infecção respiratória superior viral.

O congestionamento é geralmente a pior parte e começa a partir do dia segundo ao sexto dia da doença. A tosse geralmente começa logo após o início do congestionamento nasal. A maioria das tosses representam o esforço do corpo para proteger as vias aéreas. Quando o muco desce para a traquéia, ocorre o reflexo da tosse para prevenir que ele desça e invada os pulmões.

Os bebês não são tossidores muito eficiente, por isso eles tendem a ter mais dificuldade de limpar as vias aéreas. Assim, acabam tossindo a noite toda…resultado do dia todo sem eliminar essas secreções!  A febre muitas vezes anuncia o início da infecção viral. A febre geralmente desaparece após 2 a 3 dias, mas pode durar mais de uma semana.

O que fazer então???

Publiquei recentemente no blog Macetes de Mãe, da qual sou colunista, um post sobre tosse. Lá tem dicas bem legais sobre como aliviá-la (de verdade) em situações como essa.

Infelizmente, remédios para resfriados e para tosse não funcionam. Isso pode ser uma surpresa enorme uma vez que na farmácia existe um corredor inteiro dedicados a eles, mas décadas de pesquisa sobre a tosse e remédios para resfriados têm demonstrado sua falta de eficácia em crianças. Vários estudos nunca comprovaram a eficácia desses medicamentos e, pelo contrario, trazem um alerta que o uso desses medicamentos podem realmente causar efeitos colaterais perigosos em crianças, e até mesmo a morte.

A Food and Drug Administration (FDA) em 2008 emitiu um alerta para os pais e cuidadores, afirmando que esses remédios não devme ser usado em recém-nascidos e em crianças menores de 2 anos de idade devido aos efeitos colaterais graves e potencialmente fatais.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) vai ainda mais longe, e recomenda que crianças com menos de 6 anos de idade não devem usar remédios para tosse e resfriados. De acordo com a AAP, “vários problemas de saúde graves, embora raros têm sido associados com o uso de tais medicações para crianças, incluindo morte, convulsões, aumento da frequência cardíaca e diminuição do nível de consciência.”

Por isso papais e mamães, melhor não usá-los…

Outras dicas que deixo aqui, são recomendações simples para ajudar a aliviar os sintomas:

  1. Mantenha o pequeno hidratado: criança com resfriado tem febre, e aquela sensação de garganta raspando que dói demais…mesmo que doa para engolir, vale a pena oferecer mais água ao pequeno, que ajudará a hidratar bastante essa via aérea.
  2. Inalação, inalação, inalação…quanto mais melhor. Com soro fisiológico mesmo, ajuda a umidificar a via aérea, e fluidifica o muco, que se torna mais fácil de ser eliminado. Assim ele sai naturalmente e não somente causa aquela tosse que não deixa ninguém dormir a noite.
  3. Soro no nariz também! O acúmulo de secreção no nariz e nos seios da face, acabam gerando um ambiente propício para proliferação de bactérias, e ai sim causar uma infecção bacteriana secundária. Para que isso não aconteça, lave o nariz do pequeno pelo menos 10 vezes ao longo do dia, com uma seringa com soro fisiológico. A sensação pode ser um pouco ruim, mas o resultado vale a pena.
  4. Um pouco de mel é recomendado para maiores de 1 ano e, ao contrário dos outros medicamentos para tosse, foi comprovado que ele realmente é capaz de aliviar os sintomas, principalmente da tosse. Mas não esqueça de escovar os dentinhos depois!
  5. Antitérmicos e analgésicos servem para aliviar a dor de garganta e o incômodo da febre, e podem ser usados nas crianças, desde que com cautela e bem indicados.
  6. Uma solução de antisséptico natural, para as crianças que conseguem fazer bochecho é excelente para aliviar a garganta: 1 copo de água morna filtrada, 1 pitada de sal, 1 quarto de limão espremido. Fazer gargarejo 3 vezes ao dia. É tiro e queda!
  7. Umidificador de ar pode ajudar na época de tempo muito seco, pois a falta de umidade no ar piora bastante a tosse.
  8. A aspiração nasal com sugadores pode ser usada principalmente nos bebês, que são incapazes de assoar o nariz. Porém deve ser feito no máximo 3 vezes ao dia para não machucar a mucosa delicada do nariz do bebê

 

A garganta já não dói mais, a secreção nasal já saiu do amarelado pro mais clarinho, mas a tosse, essa…ah ainda está. E sei que vai demorar um pouco pra sair. Paciência…vou persistir na lavagem nasal, mel e inalação!

E vocês mamães? Já passaram por algo semelhante com seu pequeno? O que fizeram para aliviar os sintomas? Que medidas tem feito que tem ajudado?

Coloquem aqui suas experiências, dúvidas e sugestões.

Um abraço

Dra. Kelly Marques Oliveira

CRM 145039

 

Veja outras dicas  em:

 

Referências bibliográficas

  • Effect of Honey on Nocturnal Cough and Sleep Quality: A Double-blind, Randomized, Placebo-Controlled Study. Peduiatrics Volume 130, Number 3, September 2012
  • Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatra, 3edição 2014.
  • Treating cough and cold: Guidance for caregivers of children and youth. Paediatr Child Health Vol 16 No 9 November 2011

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