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Quando e como oferecer carne ao bebê?

Muitos pais ficam receosos de oferecer carne ao bebê logo no início da introdução alimentar, por medo de que o bebê irá engasgar com os pedacinhos, ainda que pequenos, ou porque ainda acha muito cedo para dar carne ou outra proteína…

A verdade é que assim que começamos a introdução alimentar, já podemos oferecer carne! A introdução alimentar hoje é preconizada que ocorra aos 6 meses de idade, e postergar a sua introdução pode ser um problema.

Os estoques de ferro que o bebê acumula desde a gestação começam a cair aos 6 meses, o que aumenta o risco de anemia ferropriva, e é recomendado que não postergue a introdução de carne, uma das principais fontes de ferro, justamente por isso. A proteína animal tem ferro heme, de alta biodisponibilidade no nosso corpo. Outros alimentos como grãos e vegetais escuros também são ricos em ferro, porém tem baixa biodisponibilidade, devido a presença de ferro não heme e fitatos.

Leia mais sobre introdução alimentar

Como a carne pode ser oferecida? 

É recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) que a carne seja oferecida picada ou amassada com as mãos sem peneirar ou liquidificar, pois isso quebraria as fibras e perderia a textura.

Dessa forma a carne pode ser oferecida com a colher, acrescida com algum tempero natural ou molho natural, e legumes cozidos.

Veja abaixo o trecho do Manual de Nutrologia da SBP que fala a respeito de como oferecer a carne ao bebê na introdução alimentar:

“A papa deve ser amassada, sem peneirar ou liquidificar, para que sejam aproveitadas as fibras dos alimentos e fique na consistência de purê. A carne, na quantidade de 50 a 70 g/dia (para duas papas), não deve ser retirada após o cozimento, mas sim picada, tamisada (cozida e amassada com as mãos) ou desfiada, e é fundamental que seja oferecida à criança (procedimento fundamental para garantir a oferta adequada de ferro e zinco). Aos 6 meses, os dentes estão próximos às gengivas, o que as torna endurecidas, de tal forma que auxiliam a triturar os alimentos. A consistência dos alimentos deve ser progressivamente elevada, respeitando-se o desenvolvimento da criança e evitando-se, dessa forma, a administração de alimentos muito diluídos (com baixa densidade energética) para propiciar a oferta calórica adequada. Além disso, as crianças que não recebem alimentos em pedaços até os 10 meses apresentam, posteriormente, maior dificuldade de aceitação de alimentos sólidos.”

Veja que ao final destaca-se a importância de aumentar progressivamente a consistência dos alimentos para pedaços, para não haver dificuldade na sua aceitação depois.

Como fazer a carne?

Moída: refogar a carne moída e oferecer ao bebê. Pode colocar algum legume, temperos naturais ou algum molho natural (tomate, por exemplo).

Desfiada: cozinhe a carne na panela de pressão. Ela ficará bem macia, e então você pode desfiar em pequenos pedaços.

Em tirinhas: faça a carne bem macia na panela de pressão, e ofereça ao bebê cortado em tirinhas, de forma que ele consiga pegar.

Em pequenos bifes ou filés: oferecer files ou bifes macios, mais suculentos (úmidos), em tamanhos pequenos que auxiliem o bebê a pegar.

Dica descomplicada: deixe a carne macia, molinha e não muito seca! Se for em pedaços, deixe com algum molho natural. Se for em tirinhas, deixe-a mais suculenta, procure cozinhar na pressão, pois ela fica mais molinha. Isso facilita o bebê de mastigá-la a formar o bolo alimentar já dentro da boca.

Como oferecer a carne pelo método Baby Led Weaning (BLW)?

O BLW preconiza que o próprio bebê manipule os alimentos e se auto alimente. Dessa forma, a carne deve ser oferecida num formato que a criança consiga pegar.

Tirinhas grossas e macias: cortes em tiras macias facilitam o bebê de pegar a carne e sentir seu sabor No início pode ser que não consiga de fato comer, mas já conseguiria sentir a sua textura e sabor.

Bolinhos de carne: faça a carne no formato de hamburguer, croquete, almondega. Dessa forma a carne fica macia porém firme e fácil do bebê pegar, como é precanizado no BLW. As receitinhas devem ser baby friendly e a carne assada.

Nesse vídeo o José, de 7 meses, saboreia um bife de fígado. Veja que a consistência do bife é macia e suculenta, até mesmo se desfazendo com as mãos. Por isso fica fácil da criança mastigar.

A carne também pode ser feita em formato de “bolinhos” assados, como na foto abaixo. Uma dica boa é usar algo que ajude a “dar liga” nos bolinhos, pode ser o ovo, e para alérgicos, como opção a chia ou linhaça hidratadas. Outros farelos como aveia, amaranto, quinoa pode ser usados também nos bolinhos.

Outra forma de oferecer a carne também é “em tirinhas” como no vídeo abaixo. Nesse caso, o bebê chupa o caldinho da carne, é mais difícil comer mesmo, mas é ótimo pela experiência!

 

 

Como melhorar a absorção do ferro em geral? 

  • Consuma um alimento rico em ferro heme pelo menos uma vez ao dia (carne, frango ou peixe)
  • Grãos como feijões, lentilha, grão de bico: deixe de molho pelo menos 12h, com limão ou vinagre, e troque a água antes do cozimento.
  • Após as refeições, ofereça uma fruta rica em vitamina C, como laranja, tangerina, manga, abacaxi, mamão, acerola, kiwi, morango, goiaba.

 

Sou vegetariana/o e não gostaria de oferecer carne ao meu bebê, o que faço? 

O aporte de ferro pode ser obtido de outras fontes não animais, como visto acima, e combinado com outros alimentos, que auxiliem a absorção do ferro, como as frutas e alimentos ricos em vitamina C. Considero ainda mais nesses casos o acompanhamento com nutricionista ser fundamental.

Doutora, mas eu morro de medo do engasgo!!!

Bom, o medo realmente faz parte…temos medo do bebê engasgar, de não fazermos certo, de errar…eu sei! Mas precisamos começar não é mesmo? Se o seu medo é muito grande, eu realmente aconselho a não fazer o BLW, porque você precisa estar segura! Comece oferecendo a carne levemente triturada, você pode pedir no açougue para moer 2 vezes, ou triturar no mixer. Só realmente não aconselho a liquidificar a carne numa sopa rala. Isso realmente não ajuda o bebê a conhecer os alimentos e sentir prazer neles.

Nesse caminho, é tão importante ter o acompanhamento correto com o pediatra e nutricionista que possa te orientar corretamente 😉

Leia sobre o engasgo aqui

Espero que tenham gostado das dicas!

Agora realmente se vocês precisam de RECEITINHAS incríveis, eu aconselho olhar em alguns blogs que eu sigo

Um bjo

Dra. Kelly Marques Oliveira

CRM 145039

Pediatra, Alergia e Imunologia e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC)

Consultório Espaço Médico Descomplicado – Rua José Antonio Coelho, 801 – São Paulo: (11) 5579-9090/ whatsapp (11) 93014-0007

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One Comments

  • Priscila 21/11/2017 Reply

    Adorei o post.
    Parabéns

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