urso

Sobre Amamentação e frustrações

Tô aqui,  no último dia da Semana Mundial do Aleitamento Materno, tentando escrever um texto sobre aleitamento materno e como é maravilhoso (e é mesmo),  mas aí me deparei com esse texto do quartinho da Dany que me fez refletir.

“Amanhã começa a Semana Mundial da Amamentação (SMAM) e eu quero, antes que comece, falar com quem deu mamadeira ou está nesse processo.

A maioria das páginas sobre maternidade vai participar da campanha e estaremos todas conversando sobre aleitamento materno, divulgando informações, postando fotos e relatos. Isso não quer dizer que as páginas querem atacar mães que deram ou dão mamadeira. Nós sabemos como é difícil amamentar. Não sintam culpa.

Amamentar não é sobre ser a melhor mãe do mundo nem sobre amar o bebê. Acreditamos que mães amam seus bebês e isso independe da forma como os alimentam. A campanha é sobre saúde pública. Então, convidamos TODAS a participar. Ninguém está de fora. Amamentação é sobre coletividade. Não é jogar tudo nas costas da mãe. O slogan do Ministério da Saúde deixa isso claro: “Amamentar. Ninguém pode fazer por você. Todos podem fazer junto com você”.

Se você não amamenta ou não amamentou, você pode adquirir informação pra ajudar uma amiga, uma irmã ou a si mesma se tiver uma nova gestação e desejar amamentar. Estamos todas do mesmo lado. “

Então gente, esse post é para você, mãe que pode se sentir a “menas main” do Facebook por não ter amamentado. Não sinta. Não, não é sobre você. Amamentar é algo que vai além do bem individual (que também conta é claro) mas é algo em prol do bem comum. Tem a ver com a sociedade lá fora. Com melhores índices de desenvolvimento humano e indicadores de saúde. E isso não quer dizer mais dinheiro nas mãos dos políticos. Quer dizer realmente melhorar o planeta.

Além disso, o sucesso do aleitamento materno vai muito além da “culpa da mãe”. Na verdade, a culpa não cabe onde sabemos que a mãe é vítima. Sabe, deixa eu te contar uma coisa: existe uma indústria do desmame. É, eu sei essa palavra é forte, mas é real. Existem indústrias que ganham milhões (ou bilhões) pelo simples fato de alguém indicar complemento para a pobre mãe que sai da maternidade sem saber nada sobre amamentação e tendo certeza de uma coisa: meu leite não está sendo suficiente para meu bebê, ou meu leite é fraco, e o que conta é a prescrição de fórmula infantil.

Além disso há o grande “assédio” da indústria de fórmulas sobre os médicos que estão em contato mais direto com essa mãe: o pediatra. E a possibilidade de conflito de interesses. Somado a isso, a falta de manejo, experiência e informação sobre aleitamento materno para o médico que mais deveria saber do assunto. Dificil.

Bom, esse é um ponto. Além disso, tem tantos outros pontos que fogem ao controle. A expectativa versus a realidade do puerpério (puerpério como um todo viu, e não só a amamentação), o peito que sangra e dói pra caramba, o bebê que chora a todo momento. A privação de sono terrível. A depressão pós parto. A rede de apoio que falta, a informação correta que não chega. Às vezes, a anatomia do bebê também não favorece, e a língua do bebê é presa ou o bebê não suga com força suficiente ou corretamente, causando dificuldades imensas. E sim, algumas vezes pode haver insuficiência da produção de leite, devido a hipoplasia mamária. Deu pra ter uma idéia né?

Então por favor, não se sinta ofendida, triste, por não ter conseguido amamentar (vocês viram somente alguns motivos acima). Ninguém aqui está te julgando. Juro! Muitas vezes as coisas fogem ao controle do que podemos fazer! Mesmo ainda com toda rede de apoio e orientação as dificuldades podem ser enormes. Sabemos que na verdade, sobram palpites e falta apoio de verdade nessa hora.

No fim, todos estamos juntos em prol do Aleitamento Materno, porque REALMENTE é necessário uma aldeia inteira. E bota aldeia nisso!

Sei que ainda pode doer quando falamos sobre isso. Talvez seja como abrir algumas feridas, tirar aquela casquinha que custou a cicatrizar. E sabe, dói mesmo. Não precisa falar se não quiser, reduza o acesso a essas páginas se for necessário. Mas de verdade, a idéia não é machucar.  Só sinta-se abraçada, OK?

Imagino que pra você que tentou e não conseguiu, ou aconteceu do bebê desmamar antes do que você queria, é doloroso demais falar sobre isso, é difícil demais falar sobre isso, e sabe, você também não está sozinha. Processar tudo isso dentro de você e superar isso, talvez seja um dos maiores desafios (ou frustrações) que a maternidade poderá te trazer. Um dos primeiros, talvez. Mas certamente não o último.

Amamentar pode ser mais difícil e desafiador do que qualquer coisa, e que o que aprendemos em nossa história, com nossos erros e acertos, é o que nos torna melhores seres humanos. E isso nunca muda. Certo? Certo.

E sabe, se você quiser ou precisar falar sobre isso, tudo bem. Existe lugar para você também.

#TamoJunto #JuntosPelaAmamentacao 😉

Um bjo

Dra. Kelly Marques Oliveira

Pediatra, Alergista e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC) – CRM 145039

Consultório Espaço Médico Descomplicado – São Paulo: (11) 5579-9090/ whatsapp (11) 93014-0007

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