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Porque não desmamar seu bebê com alergia alimentar

Há algum tempo venho pensando nesse assunto, sobre como falar da importância do aleitamento materno principalmente para aquele bebê que tem alergia alimentar. Sobre a importância de ter o apoio e informações corretas…Existem tantas informações conflitantes, e tanta angústia que cerca o diagnóstico de alergia alimentar…
Algo muito, mas muito importante deve ficar claro: Mães de bebês alérgicos (APLV, alergias múltiplas, FPIES, outras alergias alimentares) não devem desmamar seus bebês como indicação de TRATAMENTO da alergia alimentar! Não acredite que a única opção para seu filho alérgico é uma fórmula pronta, e isso irá solucionar tudo!
Isso significa que se a mãe deseja e escolhe amamentar seu bebê, todos os esforços devem ser feitos no sentido de auxiliar essa mãe a manter o aleitamento materno. A primeira opção deve sempre ser leite materno. Fuja do pediatra/ médico que quer dar outra opção antes de tentar o aleitamento materno.
Sei que a dieta de exclusão pode ser extremamente complicada para uma mãe que não tem orientação adequada do nutricionista, por isso a importância de uma equipe multidisciplinar.  E como coloquei aqui, trata-se de uma escolha. Se a mãe optar por não amamentar (seja qual for o motivo), também deve receber todo o apoio necessário.
Algumas particularidades do leite materno torna-o um alimento superior, e é preciso conscientizar pais e profissionais da saúde sobre esses benefícios.
Explico: O leite materno tem citocinas regulatórias que podem promover a tolerância (lê-se cura) da alergia alimentar. Isso você só encontra no leite materno.

  • O leite materno tem próbioticos (vários) responsáveis pela microflora intestinal do bebê, que também irá tornar esse ambiente favorável e com menor risco de agressões externas. São as chamadas “bactérias do bem”. Isso protegerá seu bebê de infecções intestinais, por exemplo.
  • O leite materno tem prebióticos, milhares de oligossacarídeos (eu falo de mais de 100 em variedade) que facilitam a colonização dessa “microflora do bem” citada acima.
  • O leite materno fornece proteína de alto valor biológico, que não consegue ser facilmente substituída por alimentos outros na mesma proporção, com tantas vantagens adicionais. Imagina a quantidade de “coisas” adicionadas à fórmula infantil, seja proteína extensamente hidrolisada, aminoácidos e soja, que precisa ser manipulada para tentar se “adequar” ao leite materno.
  • O leite materno é fonte de cálcio importante para o lactente, sendo o principal alimento até o primeiro ano de vida, e fornece a quantidade que o bebê precisa desse nutriente, com absorção adequada. Lembrando que o cálcio tem importantes funções em nosso corpo, entre elas o adequado crescimento e formação dos ossos, a contração muscular e participação da função e regulação da paratireóide.
  • O leite materno contém citocinas regulatórias que auxiliarão na regulação imunológica da criança, tanto no desenvolvimento de tolerância do alimento, quanto também na defesa contra microorganismos e doenças.
  • O leite materno está sempre pronto, na temperatura adequada, não é preciso preparo, não há risco de contaminações.
A dieta de exclusão pela mãe que amamenta do alimento em questão consiste no tratamento da alergia alimentar, sendo que após um tempo de sua exclusão, nova reintrodução do alimento DEVE ser tentada, uma vez que a GRANDE MAIORIA das crianças desenvolve tolerância ao alimento ( ou seja, cura) mais tarde. Essa reintrodução deve ser orientada por médico alergista ou gastroenterologista, com acompanhamento de nutricionista.
A dieta de exclusão deve ser orientada pelo nutricionista, com adequada substituição dos nutrientes, micro e macronutrientes, para que não haja deficiência de importantes nutrientes necessários à nutrição dessa mãe.
A exclusão de outros alimentos que não indicado pelo médico que faz o acompanhamento desse bebê não é indicada. Ou seja, não exclua TUDO, da sua dieta, sem antes ter correta orientação do médico!
São raríssimos os casos de alergias múltiplas, Enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES), esofagite eosinofílica, dermatite atópica associada com alergia alimentar. O acompanhamento com médico alergista e/ou gastro é essencial.
Alergia alimentar é coisa séria. Não é frescura, nem coisa de gente neurótica. Mas o diagnóstico precisa ser confirmado de forma correta, pois a exclusão DESNECESSÁRIA de alimentos na dieta da mãe e/ou bebê leva a restrições de nutrientes e um estresse emocional a ser administrado com muito amor e empatia.
O acolhimento, empatia e principalmente uma rede de apoio com atendimento multidisciplinar é importantíssimo e desejável!
Vamos SOMAR?
Um abraço,

Dra. Kelly Marques Oliveira

Pediatra, Alergista e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC) – CRM 145039

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Referências Bibliográficas

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