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Laid-back position: aprenda uma forma intuitiva de amamentar

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Olá queridas mamães,

Hoje trago uma novidade muito legal para vocês, mamães que amamentam. Diante de tantas dificuldades para amamentar, falta de orientação e informação, pensei em escrever algo para facilitar a vida de vocês.

Existem várias posições chamadas de clássicas para amamentar, porém percebi que, principalmente quando a mãe está iniciando a jornada  de amamentação, existe uma tensão muito grande, a mãe não consegue encontrar uma posição ideal, tem medo de segurar o bebê, e outras inúmeras dificuldades. Foi pensando nisso que pensei numa posição conhecida como Laid-back Breastfeeding ou Biological Nurturing, ou seja, uma posição de amamentação mais natural e intuitiva, tanto para a mãe quanto para o bebê. Essa expressão “laid-back” significa  devagar, relaxado, calmo, sem pressa…como deve ser!

Esse conceito foi introduzido por uma enfermeira na Inglaterra chamada Suzanne Colson, da Inglaterra, que percebeu que ao usar essa posição, provocava um comportamento mais instintivo e natural dos bebês, propício à amamentação. Essa técnica provou reduzir o desmame precoce além de tornar o ato de amamentar mais prazeroso para a dupla mamãe-bebê.

O modo de amamentação tradicional a mãe fica sentada numa poltrona, recostada, com a coluna reta, o bebê fica numa posição deitada, barriga com barriga, a cabeça um pouco mais elevada que o resto do corpo, de maneira transversal. A mãe usa um travesseiro para alinhar o bebê ao seu corpo e apoiar o braço. Os pés e braços do bebê nessa posição ficam pouco apoiados. O que acontece nessa posição é que a mãe usa o braço para apoiar as costas do bebê para mantê-lo junto ao peito e para alguns bebês essa pressão é desconfortável.

A posição laid-back  breastfeeding a mãe fica a vontade, totalmente apoiada (mãos, ombros, cabeça e costas) e o bebê também fica completamente apoiado, em cima da mãe e sem a pressão nas costas, somente por ação da gravidade. O bebê pode estar despido (além de tudo pode-se praticar o método canguru!) com o calor do corpo da mãe aquecendo o bebê. Esse contato pele a pele também favorece a amamentação.

Sabemos que os recém-nascidos nascem com inúmeros reflexos primitivos, o que lhes proporciona comportamentos inatos e instintivos, ou seja, eles não precisam ser ensinados. Alguns desses reflexos favorecem a amamentação, como o reflexo de rastejamento, preensão palmar e plantar, flexão das mãos, dos pés e dos dedos, mãos na boca, abertura da boca, reflexo de busca e procura, lambida, sucção e deglutição. Nessa posição o bebê tem maior probabilidade de usar esses reflexos inatos.

Isso acontece porque essa posição promove a movimentação do bebê, ao mantê-lo inclinado, sem a pressão sob as costas, com o corpo todo voltado para a mãe e próximo ao corpo dela e suas curvas. O bebê também de o reflexo de rastejamento, como um engatinhar, onde o bebê se acomoda ao peito da mãe sozinho, somente utilizando os seus reflexos inatos! Sabe-se ainda que a aréola contém as glândulas de Montgomery, que produzem um óleo responsável pela lubrificação da mama e também pelo seus cheiro. Isso orienta os bebês a localizar a mama. Além disso a própria ação da gravidade auxilia a pega. Dessa forma o bebê passa de espectador para participante ativo do ato da amamentação.

Uma outra vantagem dessa posição seria a maior interação entre mãe e bebê, com a promoção do contato pele-a-pele, o método canguru, e o que eu considero o mais importante, a mãe “perde” um pouco a tensão de amamentar com a técnica adequada, e curte o momento! Às vezes a questão do posicionamento e pega adequados ficam tão “engessados”, que no fim a mãe acaba ganhando uma baita dor nas costas e nos braços…já reparou? Essa posição seria para a mãe adquirir mais confiança e ao mesmo tempo relaxar ambos, mãe e bebê.

Parece que o início do aleitamento materno é mais instintivo do que acreditamos ser, tanto para as mães como para os bebês. Parece ser muito mais que simplesmente uma posição para amamentar. Em última análise, amamentar utilizando a laid-back position parece dar mais autonomia ao bebê, dando-lhe chance para utilizar o seu potencial inato.

Como colocar o bebê nessa posição:

  • Coloque roupas confortáveis em você e em seu bebê
  • Encontre uma cama ou sofá onde você possa deitar, porém sem  ficar totalmente deitada, mas com as costas apoiadas e um pouco reclinada, num ângulo de 30 a 45 graus.
  • Tenha um apoio para sua cabeça e ombros.
  • Coloque o seu bebê no seu peito, com a barriga para baixo, bem amoldado ao seu corpo, de maneira que ele não escorregue para baixo.
  • Deixe o seu bebê todo apoiado ao seu corpo
  • Uma vez que você está inclinada, não precisa do “colo”, o seu bebê pode apoiar-se em você da maneira que ele deseja e que fica mais confortável. Apenas tenha certeza que ele está totalmente apoiado em você e confortável.
  • Deixe a bochecha do seu bebê encostar próximo ao seu peito já descoberto. Isso ativa o próprio reflexo de busca do bebê ( você vai vê-lo abrir a boca e procurar o peito, elevando discretamente a cabeça).
  • Ajude-o na busca, delicadamente e sem pressa.
  • Relaxe e aproveite esse momento!

Veja o vídeo abaixo para entender melhor como funciona essa posição. Está em inglês, porém o mais importante é observar como a mãe fica posicionada, e seu bebê sobre ela, ambos bem confortáveis 🙂

Essa forma de amamentar parece ajudar principalmente os bebês mais agitados e chorosos, as mamães inseguras, melhora a pega e consequentemente o risco de fissuras mamárias, além do problema que muitas mães tem com dores no punho e nos ombros.

Gostaria muito de ouvir a opinião e experiencia de vocês, por favor deixe nos comentários!

Um bjo

Dra Kelly Marques Oliveira

Pediatra, Alergista e Consultora Internacional de Amamentação (IBCLC)

CRM 145039

Consultório particular em São Paulo: (11) 5579-9090/ Whatsapp (11) 93014-0007

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 Referência bibliográfica:

2010 La Leche League International, The Womanly Art of Breastfeeding, Chapter 20.

Photo credit: http://breastfeeding.support/wp-content/uploads/2014/07/laid-back1000.jpg

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