urso

O que não dizer a uma mãe que amamenta

Bebé mamando

Se você não viu a primeira parte do post, corra aqui para ler. Vale a pena.

Vimos que muitas vezes, apesar do desejo da mãe amamentar, são construídas tantas barreiras, tantas dificuldades e tantos mitos, que costumo dizer aqui que, se uma mãe conseguiu amamentar seu bebê, foi devido a sua persistência, instinto e vontade própria, apesar de todo um “sistema” que contribuiu contra a amamentação. E obviamente que num momento em que a mãe está extremamente fragilizada e insegura, frases como “o bebê está passando fome”, ou “pára com esse drama todo, nem é tudo isso, pra que sofrer?”, ou “mãezinha, é normal isso, viu? A glicemia dele tá boa, ele tá fazendo xixi. Esse choro é só indício de que ele está com fome. Logo ele cansa de chorar e dorme. Agora, se você quiser, a gente pode dar um pouco de complemento pra ele…”, em nada ajudam! Pelo contrário, acabam por abalar toda a confiança dessa mãe em nutrir seu bebê. Nos primeiros dias!!!

A mãe acaba acreditando, a partir daí, que seu leite não é suficiente, e que poderia estar “prejudicando” seu bebê ao oferecer o peito.

Veja abaixo a segunda parte do texto do Dr. Jack Newman, com tradução livre de Bianca Balassiano, e algumas adaptações minhas.

 

“Abaixo estão alguns exemplos de como não permitimos às mães amamentar seus bebês. Eles são exemplos de como a alimentação artificial é considerada o padrão alimentar e a amamentação é vista como dispensável, boa porém não necessária.

1. A maior parte das mães de bebês prematuros são informadas de que não podem colocar seu bebê no para mamar no peito até que o bebê complete 34 semanas. Isso acaba prejudica ndo a amamentação porque médicos e enfermeiras insistem que “bebês precisam aprender a mamar na mamadeira antes de mamar no peito.” Sério mesmo??? De onde veio isso? Certamente de nenhum estudo científico. Mas nós sabemos, através de trabalhos na Escandinávia, que bebês prematuros são capazes de mamar ao seio com 28 semanas e às vezes até antes disso. Nem todos, mas alguns. E não é raro que bebês prematuros possam ser exclusivamente amamentados com 32 ou 33 semanas de gestação, 1 ou 2 semanas antes mesmo do que se permite a um bebê  tentar mamar no peito, que seria com 34 semanas.

2. Mães de bebês prematuros ouvem que precisam complementar com uma mamadeira porque amamentar é mais cansativo para o bebê do que sugar na mamadeira (isso é dito sobre bebês de qualquer idade, na realidade). É uma besteira dizer que a amamentação cansa um bebê, porém é uma crença bastante comum, pois a maior parte dos profissionais de saúde aprende quase nada sobre amamentação durante sua formação e tampouco após seu término.

Bebês respondem ao fluxo de leite, e se o fluxo é lento, o bebê tende a adormecer ao seio, especialmente nas primeiras semanas de vida. E isto ocorre simplesmente porque não é ensinado às mães o básico sobre amamentação (incluindo sobre como obter uma boa pega, e como saber se um bebê está recebendo leite do peito). Veja o vídeo abaixo. Além disso, bebês prematuros concorrem com o fluxo que estavam recebendo através da mamadeira e o fato de que a produção da mãe está diminuída, pois ela estava bombeando leite ao invés de fazer contato pele a pele e amamentar seu bebê.(veja porque o pele a pele é importante )

3. Mães de bebês prematuros são informadas de que devem “fortificar” seu leite com fortificante produzido com leite de vaca (???). É verdade que alguns prematuros extremos precisam de fortificantes (que podem ser feitos com leite humano e começam a também serem questionados). Mas e um bebê de 33 semanas? Com boa ajuda, a maior parte dos bebês de 33 semanas ou até mesmo mais precoces não precisam de fortificantes. Eles precisam ser amamentados. Nem mesmo com 31 semanas eles necessariamente precisam de leite humano fortificado. Mas novamente, com regularidade a mamadeira é introduzida e a amamentação prejudicada.

Adendo meu (Dra. Kelly):O que ninguém fala é que fortificantes à base de leite de vaca, também podem aumentar o risco de enterocolite necrotizante, uma condição grave no recém nascido.

4. Mães de recém-nascidos com risco de hipoglicemia são muitas vezes obrigadas a dar ou permitir que seja oferecida a fórmula aos seus bebês (via mamadeira, é claro). Embora saibamos que o leite materno, especialmente o primeiro leite chamado colostro, é a melhor maneira de prevenir e tratar a hipoglicemia. Na maioria das vezes, se a mãe recebe boa ajuda com amamentação, o bebê estará protegido através do leite materno (quando oferecido no peito, uma vez que o contato pele a pele também previne a hipoglicemia).

5. Mães cujos bebês apresentam icterícia nos primeiros dias são forçadas a complementar a alimentação de seus bebês com fórmula, ou mesmo tirar os bebês do peito porque os profissionais de saúde que a assistem acreditam que o leite materno causa icterícia. Não é verdade. O que causa um aumento dos níveis médios de bilirrubina na maior parte dos bebês desta idade é o fato de que o bebê não está recebendo leite materno suficiente. E a resposta não é a fórmula, e sim ajudar a mãe a amamentar melhor e oferecer mais leite ao seu bebê.

Nos primeiros dias pode ser relativamente simples contornar um início inadequado de amamentação e fazê-la funcionar melhor, prevenindo que os problemas aconteçam. Infelizmente, muitas mães e bebês não estão recebendo esta ajuda. E o pior de tudo isso é que uma vez que a icterícia do bebê diminui rapidamente após a oferta da fórmula, isso prova aos profissionais de saúde que eles estão certos, que é o leite materno que causa icterícia, quando de fato a razão da diminuição da icterícia é o simples fato de que o bebê está recebendo mais leite. Será que esse decréscimo seria atingido apenas ajudando a mãe a amamentar com mais eficácia? Sim, mas é raro que uma mãe receba esse tipo de ajuda e o tratamento padrão é a oferta de fórmula via mamadeira.

Adendo meu (Dra. Kelly): Acrescento ainda que aprendemos na faculdade (isso mesmo, na faculdade de medicina!) que existe icterícia do leite materno, e que o “tratamento” é suspender o leite materno por 24h até a queda das bilirrubinas. Acontece que qualquer icterícia supostamente relacionada ao leite materno (se é que isso existe) , não chegam em níveis considerados graves ou tóxicos, e melhoram com o tempo. Ou seja, não é indicado suspender o aleitamento materno!

Tem mais no próximo post!

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Um bjo

Dra Kelly Marques Oliveira

Pediatra e Consultora Internacional de Amamentação

CRM 145039

Consultório particular em São Paulo: Whatsapp (11) 93014-0007

 

Texto original: http://www.huffingtonpost.com/entry/57dabcbae4b053b1ccf294a9?timestamp=1473957580 161

One Comments

  • Maria 07/01/2017 Reply

    Eu também tive que ter muita força de vontade, pois meu esposo, sogra, enfim todos queriam dá complemento. Pra mim foi horrível isso virou uma guerra um desconforto, odie quando as visitas também se entrometia. Mais com a ajuda de Deus consegui amamentar exclusivo até aos seis meses, nem água dei. Agora com um ano Ryan Riquelme bem diferente daquilo que falava que ele ia ficar com animia, desidratado porque não tomava água, iria ser uma criança Ruin de se alimentar, graças que nunca teve uma dor de barriga, come de tudo ainda mamã bastante. É um bebê super inteligente pra quem me dizia que ele iria ser uma criança fraquinha com problemas nos ossos, deu um verdadeiro tapa na cara dos imbecis andou com 10 meses com 8 meses já falava mamãe papai e água,, com 10 um verdadeiro papagaio repetindo tudo e agora com um já fala tudo só é não apenas fica repetindo. Meus parabéns é muito lindo essa ajuda que vcs dão as mulheres porque o mundo todo incluindo pediatra e médicos são contra a amamentação , apenas Deus é a favor porque quando Jó tava inferno ele falou senhor até parece que sou um filho que foi tirado da amamentação da sua mãe isso quer dizer que a ausência do leite materno pode trazer sérias doenças, até mesmo na faze adulto pode ainda haver consequência.

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