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Introdução alimentar: quando, quanto e como oferecer os alimentos à criança – Parte 3

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Conversamos sobre hábitos saudáveis e como introduzi-los aos seus filhos, vimos que manter o aleitamento materno é super importante nessa fase e que a introdução alimentar deve ser lenta e gradual, respeitando o ritmo da criança. Hoje vamos falar um pouco de que forma introduzir esses alimentos.

 Passo # 3: Ao completar 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) 3 vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno, e 5 vezes ao dia se estiver desmamado.

  •  A partir do 6º mês pode-se iniciar 2 refeições de fruta e 1 papa principal, conforme os horários da família. O termo “papa salgada” foi substituído por papa principal, pois não há necessidade de introduzir sal às refeições, o sal intrínseco nos alimentos é o suficiente.

tabela introdução alimentar

  • O método de introdução de alimentos vai depender da escolha de cada família, seja o tradicional na consistência de purê, com os alimentos amassados com o garfo, ou os alimentos dados de forma inteira, ou em pedaços em formato de haste, que caibam num punho fechado da criança (de forma que ela possa pegar), o chamado baby-led-weaning (em breve escreverei sobre esse assunto no blog!). Converse com seu pediatra sobre as opções e possíveis restrições.
  • Com 7 meses, pode-se acrescentar a 2ª papa principal, ficando 2 papas principais e 2 refeições de frutas.
  • Com 1 ano, a criança já participa plenamente das refeições da família, com 3 refeições principais e 2 refeições menores de fruta ou cereais.

esquema alimentar para 2 anos de vida

  • A absorção de ferro do leite materno diminui de forma significativa com a introdução de novos alimentos, por isso deve-se comer carnes, vísceras ou miúdos 1 vez por semana pelo menos.
  • Para aumentar a absorção de ferro, deve-se ingerir alimentos ricos em vitamina C, junto ou logo após a refeição. Alimentos ricos em vitamina C:pediatria descomplicada, frutas ricas em vitamina C, dra kelly oliveira, pediatra sao paulo
  • A papa principal deve conter um alimento de cada grupo, podendo alternar os dias. Grupo de cereais ou tubérculos, grupo de legumes e verdura, grupo com alimentos de origem animal (carne, frango, ovo, miúdos ou peixe), e o grupo  das leguminosas (feijão sopa, lentilhas). Veja a tabela abaixo com exemplos dos grupos de alimentos.

grupos de alimentos

  • O ovo cozido pode ser introduzido aos 6 meses. A sua introdução tardia está relacionada com desenvolvimento de alergia. Se houver história familiar de alergia alimentar, converse com o pediatra antes para orientações.

 Passo # 4 Oferecer alimentos sem rigidez de horários, respeitando a vontade da criança, procurando adaptá-las às refeições da família

  •  Crianças amamentadas ao seio materno desenvolvem bem cedo o mecanismo de saciedade e de sensação de fome, pois com a amamentação sob livre demanda, o bebê determina os horários. Pela alta digestibilidade e absorção do leite materno, sabemos que crianças que mamam no peito têm mamadas mais frequentes e curtas, também limitadas pelo próprio tamanho do estômago do bebê.
  • Não conseguimos mensurar exatamente quanto que um bebê mama no peito, mas podemos dizer se está adequado através de medidas indiretas, como o ganho de peso adequado e quantidade de vezes que o bebê faz xixi ou cocô. Isso é o mais importante! Não devemos ficar presos a quantidades e medidas, mas sim ter um bom acompanhamento com o pediatra para saber se ele está crescendo e se desenvolvendo adequadamente.
  • Quando os alimentos começam a ser introduzidos, a criança também passa a fazer esse controle sobre os alimentos também (por isso é tão importante que sejam oferecidos alimentos saudáveis…).
  • Lembre-se que para a criança isso significa uma mudança radical, pois passa de uma dieta liquida, para mista, com texturas e sabores completamente diferentes!
  • A capacidade gástrica da criança é pequena (veja a foto que postei no Facebook!), e após os 6 meses é em torno de 20 a 30ml/kg. Por exemplo, uma criança com 7kg, tem uma capacidade gástrica em torno de 200ml, para cada refeição.
  • Os horários não são rígidos, mas a regularidade é importante, a criança deve sentir fome para que possa comer! Ficar beliscando durante as refeições, principalmente guloseimas, acaba com o apetite e a criança deixa de comer alimentos saudáveis para comer “besteirinhas”, além de criar um hábito difícil de ser tirado depois…
  • Não brigue com o seu filho para que ele coma tudo o que VOCÊ quer ou o obrigue a comer até o fim.
  • Evite dar prêmios ao seu filho para que ele coma, ou castigo caso não comer. Essa manipulação é prejudicial e o seu filho pode querer usar isso também para conseguir o que quer.

 Observação: pode parecer um pouco contraditório não ter uma rigidez de horários, mas isso não significa que não exista a “hora de comer”. Assim como a criança avisa quando está com fome e quer mamar, podemos proceder da mesma forma com as refeições, mas com certa flexibilidade e respeitando o ritmo de aceitação da criança. Se encararmos essa fase com naturalidade, mais tranquila ela será!

 O que os papais desconhecem e deveriam saber em relação à criança e sua demanda por alimentos:

  •  Crianças tem personalidades diferentes e nem sempre o que funcionou com um funcionará com o outro. Isso vale pra tudo não é mesmo? Isso significa que apetites também variam e é preciso lidar as particularidades de cada uma, respeitando sua personalidade.
  • Os pais vão aprender com o tempo a diferenciar as sensações e incômodos do seu filho. Se é fome, sede, se está com a fralda suja, com calor ou frio, e ainda quando querem carinho e atenção. Conforme aprendemos isso, vai ficando mais fácil!
  • Criamos uma expectativa muito grande em relação a quantidade de alimento que a criança precisa comer…geralmente achamos que deveriam comer muito mais do que o necessário para ela. Isso pode gerar muita frustração e ansiedade. Por outro lado, essa oferta excessiva de alimentos (muitas vezes inadequados e não tão saudáveis) pode levar a um comportamento de risco para desenvolvimento de sobrepeso e até obesidade no futuro.

 Papais esse tema parece infinito, mas acreditem cada passo é importante para entendermos como introduzir os alimentos da melhor forma e quais alimentos também!

 No próximo post vou escrever sobre os tão falados sucos aqui no blog!!! Não percam!

 Continuem mandando suas dúvidas e experiências aqui. Como tem sido com vocês aí em casa? 

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Um bjo,
Dra. Kelly Oliveira

Referências bibliográficas:

  • Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para crianças menores de dois anos. 2ª edição, 2ª reimpressão. Brasília 2013 – DF. Ministério da saúde
  • Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 3ª. ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 2012.
  • Fonte tabelas: Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para crianças menores de dois anos.

photo credit: http://healthyharvesthouse.com/wp-content/uploads/2013/06/Baby-led-weaning-610×250.jpeg

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