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O que fazer quando seu filho tem diarréia?

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Olá queridos papais e mamães!

O verão está chegando, e com ele vem a doenças típicas dessa estação do ano…para isso, separei uma série sobre Diarréia aguda: o que é, seus diferentes tipos, quais são os seus principais agentes causadores, e claro tratamento, prevenção e cuidados que devemos ter para que nossos pequenos não adoeçam! Assim, vamos passar um verão tranquilo e mais saudável!

Como será uma série de posts, mesmo porque o assunto é longo, separei o texto em uma série de perguntas, para facilitar a leitura.

Nessa série, procuro abordar os aspectos da diarréia aguda, ou seja, que é de curta duração, não causa comprometimento do crescimento e ganho de peso da criança, e é na sua grande maioria causado por agentes virais, sem maiores complicações ( só uma dor de cabeça danada nos pais….).

Na verdade, grande parte das suas complicações  podem ser evitadas por medidas simples, das quais falarei nessa série.

Vamos então às perguntas!

O que é a diarréia?

É a diminuição da consistência das fezes (moles ou líquidas) e/ou o aumento da frequência das evacuações, relativo ao padrão normal de cada criança . É importante lembrar que isso pode variar muito de criança para criança e, no recém nascido, a evacuação pode estar presente após cada mamada no peito, sem que isso signifique diarréia.

Porque se chama também gastroenterocolite?

A gastroenterocolite ou GECA, com chamamos, é assim chamado porque afeta, em proporções diferentes, o estômago, intestino e cólon, levando a mal absorção de sais e nutrientes nesse período, e perda de água, que é “carregada” juntamente com os solutos.

Por que ela é chamada de “aguda”?

Diz-se que a diarréia é aguda quando ela tem duração de até 14 dias. Uma diarréia banal dura habitualmente entre 3 a 7 dias, embora não seja raro durar mais de 10 dias. Quando excede esse período, a chamamos de crônica. Nesse post vamos nos ater somente as agudas, pois é o conteúdo que nos interessa.

Por ano, quantos episódios de GECA uma criança pode ter?

Não existe uma regra quanto a isso. Sabe-se que está diretamente relacionada ao nivel socioeconômico e às condições de higiene da família. Nos países em desenvolvimento pode variar de 3 a 10 episódios por ano. Crianças que frequentam creches ou berçários estão mais sujeitas, pois estão expostas a um maior número de agentes infecciosos através de outras crianças e dos cuidadores (chamados de portadores sãos, veja baixo).

Porque é que as GECAs são tão frequentes nas crianças?

Essencialmente por dois motivos:

1) Pela natureza e comportamentos facilitadores das infecções nas crianças (crianças na fase oral, principalmente, põe a mão em tudo, e depois leva essa mão à boca. Colocam também qualquer objeto à sua frente na boca.

2) Pela ausência de imunidade para muitas das infecções que afetam os humanos, pois ainda estão como o seu sistema imunologico em formação, principalmente no que se efere a crianças abaixo de 2 anos.

Quais seriam então esses comportamentos facilitadores das infecções nas crianças?

Criança que é criança….

  1. “Explora o mundo” levando quase todos os objetos à boca; as crianças muito pequenas colocam os dedos na boca cada 3 em 3 minutos; até aos 6 anos, quando acordadas, as crianças levam a mão à boca quase 10 vezes por hora!
  2. Deslocam-se e brincam mais perto do chão;
  3. Têm menores ou nulas noções de higiene;
  4. Têm menor controle sobre o ambiente a que estão expostas;
  5. Estão muito dependentes de terceiros para a realização das suas tarefas diárias.

Por todas estas razões, as crianças estão sujeitas à ocorrência de auto-inoculação (ou seja, se auto-infectarem, seja por ingestão ou inalação) de agentes infecciosos.

E essa tal de imunidade…qual a sua importância para a proteção contra infecções nas crianças?

As crianças nascem com níveis elevados dos anticorpos maternos (transmitidos no final da gravidez) que as protegem relativamente bem de muitas das infecções até aos 6 meses de vida. O aleitamento materno nessa fase também mantém a criança protegida de inúmeras doenças e é fundamental! A partir desta idade, há uma queda natural dos anticorpos no organismo e as crianças ficam mais suscetíveis a infecções. É nessa fase geralmente que a mãe volta a trabalhar e acaba deixando o filho na creche ou berçário, sendo mais exposta a outros antígenos que não o seu ou da família somente. Aliado a isso também existe o comportamento da criança explicado acima.

A cada nova exposição a um agente infeccioso, ocorre uma infecção que vir a se manifestar como doença ou não, com ou sem sintomas. Nos casos de infecção sem doença manifesta, os doentes tornam-se “portadores-sãos”, e também adquirem imunidade. O problema é que esses pacientes que não adoecem transmitem o agente infeccioso da mesma forma, e acabam contribuindo para o contágio de muitos outros indivíduos suscetíveis, além do ambiente, alimentos e água.

As crianças por si só, ainda estão no processo de adquirir imunidade contra essas infecções, e portanto, sao susceptíveis a desenvolverem doença. Essas infecções ocorrem na maioria das vezes nos primeiros 5 anos de vida

 Quais são os outros sintomas existentes nas gastroentocolites agudas?

Além da diarréia, apresentam vômitos, dores abdominais tipo cólica, (a motilidade intestinal nesses casos está alta, e essas contrações provocam dor), febre (que pode ser acima de 39C inclusive), sonolência, falta de apetite e diminuição da diurese – a quantidade que a criança urina (esse é um dos sinais de desidratação! Pais fiquem atentos…). A maior quantidade de vômitos da criança tem relação com a gravidade do quadro, pois ela também fica impossibilitada de ingerir líquidos, além de estar perdendo.

Quando a GECA é causada por alguns vírus, (geralmente enterovírus), são frequentes os sintomas respiratórios: tosse, constipação, olhos vermelhos, dor de garganta e infecção de ouvido associada.

Quais sao os sinais de alarme* na GECA? 

Os sinais de alarme estão ligados à desidratação: sede intensa, mucosas secas (boca seca, choro sem lágrimas), olhos encovados, ausência de diurese, somados a prostração da criança na ausencia de febre.

Febre maior que 40°C, sangue nas fezes, presença de sangue nas fezes e alterações neurológicas como convulsoes ou fraqueza muscular, sugerem etiologia bacteriana e/ou intoxicação alimentar.

*Nesses casos, a criança deve ser avaliada pelo pediatra.

Esse foi apenas o primeiro post da série, no próximo falarei um pouco sobre os tipos de diarréia e medidas simples e eficazes para evitá-las. Não perca!

Deixem suas dúvidas, críticas e sugestões.

Um abraço,

Dra. Kelly Oliveira

  • Referências bibliográficas: Acute diarrhea in children – 1st part: etiology and physiopathology. Teresa Mota Castelo et al. Saude infantil, setembro 2008.